A ação política

Faltam poucos dias para as eleições. Momento de grande responsabilidade para o exercício da democracia e do dever da cidadania. A comunidade política e a autoridade pública têm o seu fundamento na natureza humana e, por isso, pertencem à ordem estabelecida por Deus.

Todas os cidadãos têm o dever de tomar parte na atividade política, entendida como serviço ao bem comum. A autoridade pública tem o dever de guiar e coordenar, respeitando os direitos das pessoas e das comunidades intermédias.

Infelizmente, muitos desconfiam da política, preferindo manter-se à distância. Outros entram nela para fortalecerem interesses pessoais ou de grupo. Outros, por fim, fazem disso uma espécie de messianismo, por pretenderem libertar o homem de todos os males.

A Igreja tem em alta estima a genuína ação política; diz que é “digna de louvor e de consideração” (Concílio Ecumênico, Gaudium et Spes 75), e aponta-a como “forma exigente de caridade” (Paulo VI, Octogésima adveniens 46). Reconhece que a necessidade de uma comunidade política e de uma autoridade pública está inscrita na natureza social do homem, e, por isso, deriva da vontade de Deus. Por outro lado, mostra os limites da política e vela por que não se torne açambarcadora ou até totalitária.

Na cultura do Antigo Oriente, o rei era adorado como um deus, como uma manifestação da divindade suprema. Segundo a Bíblia, pelo contrário, os governantes são apenas servidores de Deus para o bem do povo. Também eles estão sujeitos à lei moral e ao juízo exigente do Senhor. Assim diz a Bíblia: “Ouvi, ó reis, e entendei: aprendei, ó vós, que governais o universo! Porque do Senhor recebestes o poder, e a força do Altíssimo, que examinará as vossas obras e sondará os vossos pensamentos! Porque, sendo ministros do reino, vós não julgastes com retidão, nem guardastes a lei, nem andastes segundo a vontade de Deus” (Sabedoria 6,1.3-4). “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12, 17). “Submeta-se cada qual às autoridades constituídas”. Pois não há autoridade que não tenha sido constituída por Deus. Ela é um instrumento de Deus para o bem. Se, porém, fizeres o mal, então teme, porque não é em vão que ele empunha a espada: portanto, é, de fato, um agente de Deus, justiceiro para castigo daquele que o faz. É necessário submeter-se não só por causa do castigo, mas também por motivo de consciência” (Romanos 13, 1.4-5). É preciso orar “pelos soberanos e por todas as autoridades, para que tenhamos vida tranquila e sossegada, com toda a piedade e honestidade.” (1Timóteo 2,2).

O estado assume um rosto demoníaco quando, esquecido do seu papel subsidiário de serviço, se torna totalitário e toma o lugar de Deus. Em situações semelhantes, os cristãos têm o dever de resistir.

Segundo a doutrina da Igreja, a ação política autêntica é serviço para o bem comum, com transparência e competência.

O bem comum de uma população consiste “no conjunto de condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançarem mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes 74). Engloba todos os direitos fundamentais da pessoa, os valores morais e culturais que são objeto de consenso geral, as estruturas e as leis de conveniência, e prosperidade e segurança. A sua figura histórica global é mutável e tem de ser constantemente definida, segundo as exigências da liberdade e da solidariedade.

Os cidadãos são, ao mesmo tempo, destinatários e protagonistas da política.Têm o direito-dever de aprovar o sistema político, de eleger os governantes e de controlar o seu trabalho. Inseridos nas comunidades intermédias e nas associações, participam na gestão de numerosos serviços especialmente nos setores da educação, da cultura, da saúde, da assistência e promoção humana.

Este ano de 2010 é muito importante. Elegeremos o presidente da república, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Nós os eleitores teremos a responsabilidade de votar em pessoas que sejam dignas desses cargos e funções. Um voto dado irresponsavelmente , quem vai sofrer é o povo.

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

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