A beleza da Vida Consagrada

Dom Adilson Pedro Busin
Bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre (RS)

Desde o início da pregação do evangelho, em meio às comunidades nascentes, surgiram mulheres e homens que decidiram seguir a Cristo de uma forma especial, a Vida Consagrada. Ao longo dos séculos, nunca faltaram homens e mulheres que, dóceis ao chamamento do Pai e à moção do Espírito, escolheram este caminho de especial seguimento de Cristo, para se dedicarem a Ele de coração “indiviso” (cf. 1 Cor 7,34). Também eles deixaram tudo, como os Apóstolos, para estar com Cristo e colocar-se, como Ele, a serviço de Deus e dos irmãos. (S. João Paulo II, VC, n.1). Rezando e trabalhando nos mosteiros ou conventos; cuidando de crianças nos educandários e escolas; assistindo os doentes ou idosos; no campo e na cidade, nas periferias ou centros de metrópoles; nas frentes missionárias em terras longínquas; entre indígenas nas matas ou no cerrado com os camponeses; vestindo o hábito ou não; em inúmeras realidades estão os consagrados. Mãos que escrevem, cuidam, afagam, limpam, que seguram um rosário, uma Bíblia, um instrumento de trabalho. Mãos, pés, olhos, ouvidos, mentes que pensam e ajudam. Coração que ama. Mas procura amar e ser do jeito dele, Jesus. Por quem deixaram tudo e arriscam sua vida. O que seria de Porto Alegre sem as religiosas e religiosos em hospitais, escolas, abrigos e servindo moradores de rua? O que seria de nosso Rio Grande, sem as inúmeras congregações servindo o povo mais humilde?

No terceiro domingo de agosto a Igreja celebra, em todo o Brasil, a vocação à Vida Consagrada. Para São João Paulo II, “a vida consagrada, profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito. Através da profissão dos conselhos evangélicos, os traços característicos de Jesus — virgem, pobre e obediente — adquirem uma típica e permanente “visibilidade” no meio do mundo, e o olhar dos fiéis é atraído para aquele mistério do Reino de Deus que já atua na história, mas aguarda a sua plena realização nos céus.”

Por que fazer os votos ou promessas de pobreza, castidade e obediência? Qual o fundamento deste estilo de vida? É por causa de Jesus Cristo. Há outros modos de viver o batismo e o seguimento? Sim! Os consagrados e consagradas escolhem o jeito que Jesus escolheu. Os votos que professam querem expressar esse modo da sequela Christi. É sempre um dom, uma vocação, um chamado que encontra resposta num coração aberto e acolhedor.

Olhando a Vida Consagrada no momento atual, assistimos realidades preocupantes e esperançosas ao mesmo tempo. Na Europa, e já com repercussão nas Américas, a idade avançada de muitas consagradas e o pouco ingresso de novas forças, assinala certa crise a esta vocação. De outro lado, nos continentes como Ásia, África e em alguns países das Américas há sinais de esperança com novas vocações e novas formas de consagração ou estilos de vida. Sempre é o Espírito Santo quem suscita os carismas para a Igreja e para a humanidade. Crises e sobressaltos fazem parte da história da Vida Consagrada e da Igreja como um todo. E novas modalidades e novos carismas surgem depois dos momentos críticos. A esperança sempre guia os caminhos dos que seguem o Cristo. Ele apontará a direção. As palavras do Papa Francisco corroboram para esta viva esperança: “O coração, se encontrar cada dia Jesus e os seus irmãos, não se polariza para o passado nem para o futuro, mas vive o ‘hoje’ de Deus em paz com todos. A juventude dum instituto (de Vida Consagrada) encontra-se indo às raízes, ouvindo as pessoas anciãs. Não há futuro sem este encontro entre anciãos e jovens; não há crescimento sem raízes, e não há florescimento sem novos rebentos. Jamais profecia sem memória, jamais memória sem profecia; mas que sempre se encontrem!” (Homilia de 2 de fevereiro de 2018)

Feliz dia da Vida Consagrada! Bênçãos.

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