A Catedral da Diocese

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta (RS)

 

Qual o lugar que a Igreja Catedral tem numa Diocese? Esta pergunta aparece com mais força neste momento emque iniciamos o processo de revitalização de nossa Catedral Divino Espírito Santo, em Cruz Alta. A Catedral é o sinal visível da comunhão de todo Povo de Deus numa Diocese. É claro que não é o único sinal, destacando-se todas aquelas realidades que configuram um rosto próprio à Igreja presente neste território. O Concílio Vaticano II acentuou a compreensão de que a Igreja se visibiliza, com todas as realidades que a compõe, numa Diocese. Por isso, é também chamada de Igreja Particular. As notas essenciais da Igreja estão aqui presentes: una, santa, católica e apostólica. No grande mistério de comunhão que nos une à Igreja na sua universalidade, na comunhão com o sucessor de Pedro, bispo de Roma, nosso Papa Francisco, devemos afirmar que em nossa Diocese está presente a Igreja Católica na sua integralidade.

É belo ver a diversidade social, cultural, geográfica e, também, econômica que configura as 32 paróquias e quase 600 comunidades que, juntas, formam a nossa Diocese. Porém, somos uma única Diocese, um único Povo de Deus, rebanho de Jesus Cristo Bom Pastor, na comunhão com o bispo diocesano, sinal desta comunhão na sucessão apostólica. Esta comunhão espiritual precisa se tornar também comunhão na mesma missão, com o Plano de Ação Evangelizadora, que congrega e apresenta um caminho, com um objetivo pastoral para todos. É o modo concreto como tornamos presente para hoje, em nossa realidade, a única missão evangelizadora que Jesus Cristo deixou para os apóstolos. Neste caminho de unidade, que configura um rosto próprio para a Diocese, está a comunhão dos diversos ministérios, ordenados ou não: bispo, padres, religiosos e religiosas, ministérios leigos, serviços, conselhos paroquiais e diocesanos. Cada um só têm razão de ser na comunhão, visto que servimos à mesma missão.

Além destes sinais de comunhão, que estão na base de sua constituição como Diocese, a Igreja diocesana tem alguns lugares visíveis que dizem respeito a todos, nos quais os católicos desta porção do Povo de Deus se reconhecem. O primeiro lugar é a Catedral Diocesana. Outros lugares que tem cunho diocesano são a Cúria Diocesana, os seminários diocesanos, o Centro Diocesano de Formação Pastoral e o Santuário Diocesano. Mas, por que a Catedral tem a ver com toda a Diocese? A igreja Catedral é a igreja mãe de uma diocese. No nosso caso ela é, ao mesmo tempo, a igreja matriz da Paróquia Divino Espírito Santo e catedral diocesana. Ela chama-se Catedral pelo fato que nela está a “cátedra”. Ela é a sede onde se encontra a cadeira usada pelo bispo diocesano na sua missão litúrgico-pastoral na diocese. A cátedra é o sinal visível daquele que, como sucessor dos apóstolos, preside a Igreja Diocesana.

Em todas as dioceses do mundo, a catedral é lugar de referência da fé onde os fiéis de uma igreja particular se reúnem especialmente para alguma significativa celebração para exprimir e proclamar a própria fé é a própria unidade em Cristo. A catedral é o centro eclesial e espiritual da Diocese. É o símbolo visível da unidade de toda a comunidade cristã.Por isso, nela são realizadas a principais celebrações diocesanas. Nela se encontram os presbíteros da Diocese, junto com o bispo diocesano, para a celebração da Missa do Crisma, na Quinta-feira Santa, pela manhã, dia da instituição do sacerdócio e da eucaristia, e, nesta oportunidade, renovam anualmente as promessas sacerdotais. Nela se celebra a grande novena preparatória à Romaria anual ao Santuário Diocesano Nossa Senhora da Fátima. É, também, local de celebração de festividades comemorativas de ocasiões especiais, como jubileus sacerdotais, episcopais e da Diocese. Nela, também, serão sepultados os bispos diocesanos. Por isso, a catedral diz respeito a toda a Diocese, como um centro para onde converge e de onde parte a vida de nossa Diocese. Já dizia Santo Inácio de Antioquia: um só altar, uma só eucaristia, um só bispo, com seus presbíteros e diáconos (cf. Da Carta aos filadélfios).

Nossa Catedral está iniciando um processo de revitalização, que se faz necessário e urgente. A Comissão para a Revitalização da Catedral está agora na fase da captação de recursos. Contamos com a colaboração de toda a Diocese, para esta importante obra. Tenho certeza que será um referencial para nossa Diocese e nos orgulhará, ainda mais de fazermos parte deste povo de Deus da Diocese de Cruz Alta. Recordemos, é a minha/nossa Catedral. Não podemos delegar a outros esta responsabilidade.

 

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