A cavalhada da Paz, da Alegria e da Tolerância

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Uma das tradições mais expressivas de ampla ressonância popular da baixada campista é a da memorável cavalhada de Santo Amaro. Inspirada nos livros de cavalaria medieval como a “História  de Carlos Magno e os Doze Pares da França”, os torneios e justas  que mostravam a arte dos cavaleiros e suas habilidades presentes na cavalhada campista: as argolas, o ataque de espadas e o salto da Garupa.

A primeira edição desta tradição equestre aconteceu no solar Fazenda do Colégio dos Jesuítas em 7 de outubro de 1730. Esta tradição foi celebrada ininterruptamente no15 de janeiro Festa de Santo Amaro (inscrita no calendário Estadual) . Ela é precedida na noite de uma romaria chamada Caminho de Santo Amaro de 39 km saindo pelas 11 horas da noite,  da Basílica Santíssimo Salvador para chegar às 5 horas, na Capela de Santo Amaro.

A cavalhada está inserida profundamente no coração da festa e no espírito de Paz e reconciliação do cristianismo legado da mística beneditina. A cavalhada acontece a tarde pelas 15 horas e encena o drama na luta dos cristãos e dos mouros, mas a trama termina na carreira do abraço, salientando a confraternização dos cavalheiros no que o Papa Francisco chama de Cultura do Encontro.

Nestes tempos de intolerância e fundamentalismos religiosos inspirados na obra de Samuel Huntigton” O choque de civilizações “que visa a Recomposição imperialista da Ordem Mundial, a cavalhada de Santo Amaro propõe o diálogo das culturas, tradições religiosas e das Nações na mesa comum da cordialidade e da partilha. Por todas estas razões e valores religiosos, espirituais e culturais,  podemos concluir que esta cavalhada constitui um patrimônio histórico e civilizatório profundamente humano e cristão.

 

 

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