A Igreja percorre o mundo contemporâneo com Maria

Dom Romualdo Matias Kujawski
Bispo Diocesano de Porto Nacional (TO)

Já se aproxima a celebração da festa da padroeira de nossa Diocese de Porto Nacional, Nossa Senhora das Mercês. Com isso, somos convidados a fazer certas reflexões. Olhando para essas realidades, constatamos que, na Igreja Católica, enxergamos a pessoa de Maria como aquela que sempre nos conduz a seu Filho, Jesus Cristo. Ela, devido à sua maternidade, tornou-se um ícone de Mãe para as mães contemporâneas.

Os nossos irmãos protestantes confundem o culto a Maria com idolatria, o que não tem nada a ver. Mas, no fundo do coração, acredito eu, também eles reconhecem a extraordinariedade do papel de Maria no plano de salvação de Deus. Pessoalmente, vejo Maria embaixo da cruz ouvindo as palavras do seu Filho Crucificado pronunciadas a João: “Eis a tua Mãe” (Jo 19,27). Sendo assim, me sinto juntamente com o evangelista um “filho adotivo” dela. Sinto também que ela me conduz a Jesus e, principalmente, a Jesus Misericordioso. Toda essa realidade me leva a unir minha voz à voz de Maria, cantando alegremente o Magnificat, sendo um fiel aprendiz da Serva do Senhor.

Faço, então, um questionamento: O que Maria tem a dizer ao mundo de hoje?

Concentrar-me-ei somente em um aspecto do Coração Materno de Maria: Ela nos conduz sutilmente a seu Filho Jesus, Salvador misericordioso.

Outra pergunta: O mundo de hoje ouve sua voz? Parece que tantas vezes nos deixamos conduzir pelo egoísmo, autossuficiência e pelo consumismo liberal, sem a presença de Deus. Diante de toda essa situação, faço um apelo: É necessário abrir os olhos e tentar sair dos melindres de nosso orgulho, para poder expressar as palavras do profeta Samuel: “Fala Senhor, o teu servo escuta” (1 Sm 3,10). Esta abertura para a escuta é um apelo urgente para o compromisso com nosso caminho da fé.

Resumindo, qual é a voz de Maria para o mundo de hoje?

  • Ter a coragem da digna oposição ao espírito consumista deste mundo; 
  • Desejar a Misericórdia Divina; 
  • Buscar uma conversão sincera a Deus verdadeiro; 
  • Gratidão pelas graças recebidas, tendo a coragem de dar testemunho da vida de santidade; 
  • Ser sal da terra e luz do mundo, como reflexo da luz de Deus; 
  • Dar testemunho da Verdade.

Sigamos o exemplo de Nossa Senhora, aquele que disse seu “sim” incondicional e se manteve de pé, mesmo diante da dor e do sofrimento de Jesus na cruz, nos ensinando a permanecermos firmes em nossas tribulações. Sua voz continue a ressoar em nossos ouvidos: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. (Jo 2, 5)

Olhemos para Maria que, com a força do seu Filho, tornou-se milagrosa. Ela nos confirma, na esperança, que seu Filho é o Senhor Misericordioso, que não se cansa de buscar a “ovelha perdida”.

Nossa Senhora das Mercês, rogai por nós e por nossa Diocese!

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