A Imaculada

Em seu calendário santoral, a Igreja celebra a Festa da Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro. Teologicamente, a vida da Igreja gira em torno de Cristo. Dessa maneira, a Igreja é essencialmente cristocêntrica; Cristo é o centro; é a cabeça, para usar a palavra de São Paulo, nas Cartas aos Efésios e Colossenses. Mas, a Igreja é também apostólica, petrina, paulina, mariana. É, eminentemente, apostólica porque encontra nos apóstolos os primeiros pregoeiros da evangelização e neles tem seu fundamento; é petrina e paulina, para significar, precisamente, a sua universalidade, enquanto anúncio missionário aos judeus e pagãos; em Pedro e Paulo, encontra-se a face da unidade e da comunhão da Igreja. A Igreja é, verdadeiramente, mariana, assim afirma o Concílio Vaticano II: “É por esta razão, saudada como membro supereminente e de todo singular da Igreja, como seu tipo e modelo excelente na fé e caridade.” (LG, nº 53) Em termos de precedência, Maria foi a primeira discípula evangelizada por Jesus Cristo e, por isso, qualitativamente, se torna a primeira missionária de seu Reino. De fato, “Maria não se limitou a dar à luz Jesus, mas foi também a Sua mais fiel discípula, como demonstra a Sua presença no Calvário na hora da paixão de Cristo e da Sua oração no Cenáculo com os Apóstolos à espera do Pentecostes.”

A Igreja reconhece o lugar teológico de Maria na “economia da salvação”; com efeito, ela tem “um relevo especial, enquanto é ‘Mãe de Cristo e Mãe da Igreja’ (Paulo VI). Como Mãe de Cristo, Maria foi preparada pelo Espírito Santo; de fato era conveniente que estivesse ‘cheia de graça’ a Mãe d’Aquele em quem ‘habita corporalmente toda a plenitude da divindade’ (Cl 2,9). Por isso, por pura graça, foi concebida sem pecado como a criatura mais humilde e mais capaz de acolher o dom inefável do Todo-Poderoso”. Maria não apresentara méritos próprios para ser agraciada com a excepcional escolha para ser a mãe do Messias. O Papa Pio IX, em sintonia com o pensamento da Igreja, “desde os primeiros séculos”, definiu, como verdade dogmática, que “a bem-aventurada Virgem, no primeiro instante da sua concepção, por graça singular e privilégio concedido por Deus onipotente, na previsão dos méritos de Jesus Cristo salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda a mancha de pecado original”. Nisso consiste o dogma da Imaculada Conceição, proclamado no dia 8 de dezembro de 1854. Ser “cheia de graça”, como  disse o anjo Gabriel, ao saudá-la, significa dizer que, como afirmou um santo no século VII, “Ninguém foi purificado, exceto tu”.

Os mistérios da Concepção Imaculada de Maria e da Anunciação do Verbo estão muito próximos no seu significado porque neles se revela a ação de Deus e porque Maria está presente como objeto da escolha divina e como participante da obra salvífica. A Imaculada Conceição de Maria e a Incarnação do Verbo, sempre presentes no plano de Deus, tornaram-se acontecimentos registrados no tempo; sob esse plano, a Concepção Imaculada de Maria precede a Incarnação de Jesus Cristo que “assumiu a humanidade, tomando uma alma e um corpo de homem”. A Concepção, Natividade e Assunção de Maria não a distanciam da humanidade; representam, antes, uma dignidade para a natureza humana. Por isso, é fácil perceber sua proximidade e sua solidariedade: nas bodas de Cana, ao pé da Cruz, no Pentecostes e na história da Igreja. A celebração da Imaculada Conceição, em inúmeras dioceses, paróquias e comunidades, contribui para afervorar a espiritualidade mariana dos fiéis que vivem sob a terna proteção da Mãe de Cristo.

Dom Genival Saraiva de França

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