A opção pelos pobres, opção Cristológica

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

O documento de Aparecida levou em conta a opção pelos pobres em ligação a Jesus Cristo, porque Ele por primeiro fez a opção pelos pobres. A opção pelos pobres é cristológica, expressão do Papa Bento XVI no discurso inaugural da Quinta Conferência Episcopal de Aparecida (Maio de 2007), no Brasil, não sendo só uma opção social, mas porque o Senhor Jesus fez  por primeiro, a opção pelos mais necessitados e pelos pobres. O fato é que o Senhor, de rico que era, se fez pobre para assumir a nossa natureza humana e enriquecer-nos com a sua própria vida. Ele assumiu como Filho do Homem a opção pelos mais debilitados da sociedade de então. Compreendamos que a opção pelos pobres proveio do Senhor Jesus Cristo. Ele acolheu os pecadores, as pecadoras, os publicanos, os doentes. Expulsou os demônios das pessoas, ressuscitou os mortos, fez os paralíticos andarem, os surdos ouvirem, os cegos verem a realidade, curou os leprosos. Assim ele recebeu críticas, por parte daqueles que governavam a sociedade e se achavam em condições de admoestar os outros, sem a necessidade de conversão interior. Jesus não teve medo de denunciar aquele tipo de comportamento que separava os bons e os ruins na convivência humana. A ação evangelizadora de Jesus era em favor de todos, para que todos sejam salvos.

Jesus retomou na Galiléia a profecia de Is 61,1s: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista: para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça” (Lc 4,18-19). Logo em seguida, ele diz que aquelas palavras da Escritura se cumpriram naquele dia pela sua pessoa. Toda a prática de Jesus foi a realização dessas coisas lidas na sinagoga. Dessa forma ele sofrerá a perseguição e a própria morte por viver o amor de Deus Pai na pessoa dos sofredores e pobres. Ele foi pobre por primeiro, porque não tinha onde reclinar a cabeça. O programa de Jesus deve ser o da Igreja e de todos os seguidores e seguidoras dele. Se a igreja quer ser de fato discípula missionária de Jesus Cristo, trilhe os mesmos passos de seu Mestre. Nós somos chamados pelo Espírito de Jesus a anunciar o Evangelho de Jesus Cristo a todos. Esta deve ser a nossa opção, uma vez que Deus ama os que mais sentem necessidade para, assim amar os que se sentem bem.

A opção pelos pobres não é algo extrínseco à nossa missão, mas ela deve ser essencial para a correspondência de nossa vida Àquele que nos chamou um dia para trabalhar em sua messe, não consistindo apenas em ensinar algo para a melhoria de suas vidas, mas ela aponta a aprendizagem deles na forma como se processa a vida. É a consciência de que eles nos evangelizam pela sua forma de vida e de desprendimento das coisas. Muitas vezes, a palavra de Jesus é mais assumida por eles na dor, no sofrimento e na luta pelo bem. O Evangelho se lhes torna carne e alimento para suas vidas.

A opção se faz por uma conversão pastoral. Jesus diz aos seus discípulos e hoje esta palavra é dirigida a nós: “Convertei-vos e crede na Boa Nova” (Mc 1,15). Toda a pastoral deve ser perpassada pela opção pelos pobres. São Gregório Magno dizia, no final do VI século, que a casa de Deus deve ser a casa dos pobres. Em muitas de nossas paróquias, comunidades e congregações religiosas, existe um trabalho em favor dos mais necessitados. A conversão é contínua e permanente.

A opção pelos pobres, opção do Cristo Jesus, faz o discípulo missionário ver Jesus Cristo no rosto dos sofredores, o qual nos chama a servi-los neles. Esses aparecem nas crianças, desempregados, mulheres, drogados, anciãos abandonados. A palavra de Jesus fica como uma exortação para uma prática de vida que se vislumbrará no dia do julgamento: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

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