A Política da Morte e a Morte da Política

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

O título, da presente reflexão, pertence ao grande pensador Latino-americano Alberto Methol Ferré que se pronunciava desta forma sobre o cenário sociopolítico sul-americano dos anos 70, onde se confrontavam o terrorismo estatal contra o terrorismo de grupos que tinham escolhido a luta armada. Hoje, claro, o cenário é outro, mas com preocupantes ameaças à Democracia ainda incipiente nestes países.

Não só na Ameríndia, mas o mundo todo parece ter voltado à época de pré-guerra dos anos 30, pós- depressão, onde pipocavam regimes autoritários e o charme da Nova Alemanha Nazista. O famoso e terrível discurso de Charlestonville, mais recente da era Trumf, transbordante de ódio e discriminação com os eventos que se seguiram nos EEUU, atacando grupos defensores dos direitos humanos e as populações negra e latina, parece ter infestado nossas redes sociais e o próprio discurso político-eleitoral.

É verdade que não acontece alheio a um autoritarismo cool, que cerceia direitos, banaliza instituições como o habeas corpus, a presunção de inocência, e o devido processo legal, criminalizando lideranças de movimentos sociais. Mas, o que constatamos com muita apreensão é o viés truculento com que se fala de segurança, direitos das minorias, e a crença mágica de resolver as coisas na política sem diálogo aberto, sem buscar consensos democráticos, mas apenas impondo de maneira autocrática uma concepção vertical e fechada de sociedade.

Quando se debocha ou destrata as populações negras, indígenas, as mulheres, e outros coletivos, faltando com o devido respeito à dignidade da pessoa humana, estamos massacrando a utopia da Declaração dos Direitos Humanos que celebra 70 anos, e destruindo a Democracia pela qual tantos brasileiros/as deram a vida. A política, como arte e ciência do bem comum, precisa da razoabilidade do debate, de valores plenamente humanos, e do pluralismo legítimo de uma Democracia madura, inclusiva e integral. Deus seja louvado!

 

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