A posição da Igreja em relação às eleições

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

A igreja incentiva os fieis católicos e católicas para que interajam em relação às eleições. A cartilha de Orientação política produzida pelo Regional Sul 2 coloca-nos a palavra do Papa Francisco no sentido de que a nossa religião não pode ficar alheia às questões comunitárias e sociais porque tudo se refere à política, à transformação das coisas a partir de nossa passagem neste mundo (cf. EG, n. 183).

Trazemos a palavra do Papa Francisco no encontro de políticos católicos em Bogotá, 2017 que a política é um serviço fundamental em vista do bem comum da sociedade, não sendo serva de ambições individuais, de facções e de centros de interesses. A Igreja aprecia todas as pessoas que se dedicam ao bem da nação, ao serviço das pessoas. Sentimos a necessidade de reabilitar a dignidade da política, a formação e o intercâmbio de novas gerações políticas. Nós necessitamos de políticos, diz ainda o Papa que preservem o dom da vida em todas as suas fases e manifestações. A América Latina necessita de políticas que enfrentem o drama da pobreza, visam a inclusão tendo o desenvolvimento como ponto fundamental para todos. É preciso encaminhar construção de democracias maduras, participativas, superando a corrupção, a uma educação integral que inicia em casa e se desenvolve numa escolarização para todos. É preciso ter um olhar de fé, da presença de Deus nas ruas, nas casas, nas praças, de modo que todos vivam bem na família, na comunidade e na sociedade.

A CNBB sempre se manifestou em questões políticas, diz ainda a cartilha, seja no passado, como no presente. A sua contribuição foi fundamental na implantação da democracia e a lisura da instituições. A Igreja católica adotou a elaboração de textos em vista de conscientizar os eleitores sobre a responsabilidade do voto. O voto não tem preço, tem conseqüência. Existem iniciativas em paróquias e dioceses a respeito de debates sobre os candidatos e programas, além de formação da consciência política dos leigos e das leigas, com palestras, fóruns tendo a participação de especialistas e lideranças sobre a realidade em diversos pontos. A Igreja católica colaborou no empenho em moralizar as campanhas políticas como a elaboração da lei 9.840 contra a corrupção eleitoral, coordenada pela Comissão Brasileira Justiça e Paz, da CNBB. Outra campanha bem sucedida foi a denominada Lei da Ficha Limpa, ou Lei complementar 135 de 2010, que torna inelegível quem tenha sido condenado em decisão proferida por órgão judicial colegiado e teve a colaboração das comunidades católicas. A Igreja sente a necessidade de maior presença do laicato católico no âmbito político, com convicções éticas e religiosas. Por isso a Igreja incentiva os leigos na política porque ela é essencial para a transformação da sociedade.

No entanto, é ainda escassa a atuação de católicos influentes na política em vista da moralidade pública, da administração da justiça, no estatuo da família e na promoção da vida entre outros pontos. O Papa Bento XVI alertava da ausência no âmbito político que sejam vozes e iniciativas de chefes católicos, dedicados e coerentes com as suas convicções éticas e religiosas (Papa Bento XVI no discurso inaugural da V Conferência de Aparecida, SP maio de 2007). E o Papa Francisco também vai nesta linha no sentido de que os católicos se façam valer no cenário político. Se existem testemunhos de católicos exemplares no cenário político, nota-se também a ausência de correntes fortes que abram caminho ao evangelho na vida política das nações (Papa Francisco aos políticos latino-americanos, dezembro de 2017). O ano do laicato ajude mais pessoas a se engajarem na vida política.

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