A primeira carta a Timóteo

Percebe-se pelas recomendações da primeira carta a Timóteo que o tempo da Igreja já avançou. Ela já está constituída e já fez experiência de muitos problemas. A carta é um conjunto de recomendações para diversas categorias de cristãos, intercaladas de recomendações a Timóteo.

O autor, que se dá o nome de Paulo, espera que quem está à frente da Igreja de Deus trabalhe para que se mantenha a solidez do ensinamento recebido. Não devemos nos desviar da linha traçada pelos primeiros cristãos, perdendo-nos com elementos espúrios à nossa Tradição, que vem não de alguns séculos atrás, mas dos apóstolos e dos mártires da primeira hora.

A vontade de observar as leis é boa, desde que ela não venha ocupar o lugar de Jesus Cristo, mas permaneça na sua posição de pedagoga. A lei não se destina ao justo e sim aos maus e pecadores, mas o Salvador dos pecadores é Jesus. “Fiel é esta Palavra e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores…” (1,15).

A oração da comunidade – Todos devemos rezar por todos, principalmente pelas autoridades, para termos uma vida digna, calma e serena. Que a salvação venha para todos e todos tenham o conhecimento da verdade. O autor pede que os “homens” rezem, e com as mãos erguidas, sem ira nem animosidade (2,1-8).

As mulheres – Cultivem a virtude da modéstia, não preocupadas demais com o exterior, e permaneçam na fé, no amor e na santidade. Valorizem o dom da maternidade. Respeitem o marido. O autor dá orientações para que permaneçam em silêncio durante a catequese, não ensinem nem dominem o marido (2,9-15).

O Bispo – O episcopado é algo desejável, por ser uma boa obra. O Bispo deve ser irrepreensível, sóbrio, cheio de bom senso, simples no vestir, hospitaleiro, competente no ensino; não dado ao vinho, nem briguento, indulgente, pacífico, desinteresseiro. O autor supõe que ele possa ser casado. Nesse caso, seja esposo de uma única mulher, e mostre que sabe governar sua própria casa para poder governar a Igreja de Deus. Não seja recém-convertido, e que os de fora da comunidade falem bem dele (3,1-7).

Os diáconos – sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados ao vinho, não cobicem lucros, conservem o mistério da fé com uma consciência limpa. Sejam experimentados, isto é, verifique-se se eles têm bom senso, e depois sejam admitidos. Devem ser esposos de uma única mulher e saber dirigir a família. As mulheres diaconisas devem ser respeitáveis, não maldizentes, sóbrias e fiéis (3,8-13).

Falsos doutores – É preciso estar atento para que falsos ensinamentos não venham perturbar a comunidade. Cada tempo tem sua peculiaridade, mas é preciso lembrar sempre que “tudo o que Deus criou é bom, e nada é desprezível se tomado com ação de graças, porque é santificado pela Palavra de Deus e pela oração”. Nossa esperança deve ser posta no Deus vivo, Salvador de todos, sobretudo dos que têm fé (4,1-11).

Relacionamento comunitário – Se precisar ser admoestado, um ancião deve ser visto como um pai; um jovem como um irmão, uma senhora como mãe, as moças como são irmãs. (5,1-2)

As viúvas – Que os familiares cuidem delas. As que ficaram sozinhas, sejam assistidas, ponham sua confiança em Deus e rezem (5,3-8).

Grupo de viúvas – Para alguém pertencer ao grupo das viúvas assistidas, precisa ter sessenta anos, ter tido um só marido, ter boa fama. Deve ser conhecida por suas boas obras, pela educação dos filhos, ser hospitaleira e solidária com os pobres. As mais jovens, se podem, devem se casar de novo. As famílias ajudem as viúvas para não onerarem a Igreja (5.9-16).

Os presbíteros – Os que exercem bem o ministério são dignos de dupla remuneração, sobretudo os que trabalham no ministério da palavra e na instrução. Acusações contra eles só sejam aceitas com duas ou mais testemunhas. Os que pecam, sejam repreendidos diante de todos. Não haja favoritismo por parte do Bispo que não deve ter pressa para ordenar (5,17-25).

Os escravos cristãos devem ser pessoas de respeito e de bons serviços (6,1-2).

Uso do dinheiro – Não querer enriquecer no ministério. Contentar-se com o que se tem. (6,2-10). Os que são ricos não sejam orgulhosos e não coloquem a esperança na instabilidade da riqueza. Sejam ricos de boas obras, façam o bem e partilhem o que têm (6,17-19).

Cônego Celso Pedro da Silva

Escreva um Comentário

Ver todos os Comentários

Seu endereço de email não será publicado. Também outros dados não serão compartilhados com a terceira pessoa. Campos obrigatórios marcados como * *

Share This