A violência e a segurança, de Medellin a Aparecida

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

Um dos pontos, ou critérios de discernimento, nestas eleições de 2018, trata da questão da violência e a segurança como um elemento importante na decisão de nosso voto em outubro. As conferências episcopais latino- americanas lançam luzes e reflexões valiosas e prudenciais sobre este assunto abordado muitas vezes de forma demagógica. Há 50 anos, a Conferência de Medellin, no Documento Paz, considerava que a violência tinha causas estruturais vinculadas à desigualdade e à dependência de nosso continente que, desatendidas, se constituíam num marco endêmico e círculo vicioso da violência. Em 1979, na Conferência de Puebla, ao tratar das ideologias, no nº 547, se questiona seriamente a chamada Doutrina da Segurança Nacional que, defendendo um determinado modelo econômico-político, de características elitistas e verticalistas, acaba suprimindo a participação ampla do povo nas decisões políticas. Esta doutrina, entendida como ideologia absoluta, não se harmoniza com a visão cristã da pessoa humana e seus direitos.

Já a Conferência de Santo Domingo, nos nºs 110, 235 e 280, trata da violência contra as mulheres, as crianças e da violência midiática que banaliza o uso da força, da agressividade e da discriminação de grupos. Em Aparecida, analisando o fenômeno da violência predominante no mundo urbano, se propõe, nos nºs 542 e 543, a promoção de uma cultura de Paz que seja fruto de um desenvolvimento sustentável, equitativo e respeitoso da criação.

Ainda, no nº 543, afirma claramente: “Uma autêntica evangelização de nossos povos envolve assumir plenamente a radicalidade do amor cristão, que se concretiza no seguimento de Cristo na Cruz; no padecer por Cristo por causa da justiça; no perdão e no amor aos inimigos”. Não podemos esquecer, em nenhum momento, que a Igreja é chamada a ser escola permanente de verdade e justiça, de perdão e reconciliação para construir uma Paz autêntica. Deus seja louvado!

 

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