A Virgem Maria e Deus e os outros

Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz
Arcebispo da Paraíba

 

A celebração do Santo Natal já se aproxima, estamos mais uma vez a celebrar o Mistério do generoso amor de Deus, da chegada da salvação no meio de nós! Com a Virgem Maria, somos levados a compreensão existencial de que devemos abrir definitivamente o coração ao Deus que se fez menino ”envolvido em panos” e posto ”numa manjedoura” (Lc 2,12). Na expectativa do advento, a presença de Nossa Senhora nos possibilita olhar a realidade que nos cerca com olhos novos, Ela conseguiu transformar em alegria também o sofrimento. Com oportuno realismo, Ela nos ensina a enxergar a obscura realidade com os olhos da fé, abrindo mão de todo fatalismo e ingenuidade.

A luz do Natal aproxima-se e virá para iluminar o coração da noite da humanidade. O Deus que se fez criança vem para cada um de nós. Mas para que isto ocorra, é indispensável que nossa existência se abra e nos preparemos para recebê-Lo. A noite do mundo cansa-se porque, por vezes, tenta viver sem Deus, como se Ele fosse nosso inimigo. Os homens necessitam aprender a confiar em Deus.

A “fragilidade” do Menino Deus, carregado carinhosamente pelos braços de Maria, nos ensina a arte do abandono, da confiança. Até Deus quis ter uma Mãe para ser cuidado, e aqui encontramos uma vertente da pedagogia divina: precisar do outro, pôr-se na confiança das mãos do outro. Diante de contextos marcadamente violentos, cabe-nos gerar a cultura da paz. Esta, constrói-se quando estendemos nossa mão ao irmão, quando nos tornamos próximos uns dos outros. A Virgem Maria, que gerou Deus no seu coração e no seu ventre, não fechou-se em si, mas alegremente e na confiança total a Deus, se colocou a serviço Dele e de seus irmãos.

O Papa Francisco, disse palavras bonitas para a chamada concreta do advento, na expectativa do Natal: “O Advento nos convida a um compromisso de vigilância, a olhar para fora de nós mesmos, ampliando nossa mente e nosso coração para nos abrirmos às necessidades de nossos irmãos e ao desejo de um novo mundo. É o desejo de tantos povos martirizados pela fome, pela injustiça e pela guerra; é o desejo dos pobres, dos mais frágeis e abandonados”. Que a humildade e a confiança de Maria nos ajude no favorecimento da cultura de paz, que nossa piedade religiosa seja o mesmo nome da caridade que nos junta a Deus e aos irmãos! Com Nossa Senhora, o Natal de Jesus torna-se sempre o lugar que cria esperança e renova nosso espírito de santidade.

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