A visita ‘Ad Limina Apostolorum’

Dom Anuar Battisti

Em Roma estamos iniciando a visita “ad limina apostolorum”, (em latim, “limina”: túmulo; “apostolórum”: dos apóstolos). De cinco em cinco anos os bispos têm a obrigação de visitar o papa e os túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo, pastores e colunas da Igreja romana e assim reforçar a comunhão com a Sé Apostólica, como sucessores dos apóstolos e da comunhão hierárquica com o sucessor de São Pedro, hoje o Papa Bento XVI.

Cada Bispo está obrigado a visitar o sumo pontífice e apresentar um relatório sobre a vida da sua diocese, para que o papa tenha conhecimento das atividades de cada Igreja particular. A oração, reflexão e a elaboração e o envio de um relatório quinquenal sobre o estado da diocese confiada ao bispo, constituem os aspectos principais da fase preparatória da visita.

Três são os principais momentos da visita: a peregrinação aos túmulos dos dois apóstolos; o encontro com o romano pontífice e os colóquios, individuais ou coletivos, com os dicastérios da Cúria Romana, dirigidos pelos cardeais prefeitos.

Esses encontros constituem tempos fortes de diálogo e de comunhão na corresponsabilidade de conduzir o rebanho do Senhor a nós confiado. O encontro com o papa é o que mais se deseja, pois ali acontece o fato de maior colegialidade e união com o sucessor do apóstolo Pedro.

É nesse encontro que se consolida a fé, a esperança, a caridade e o compromisso de unidade com a cabeça da Igreja, o representante visível de Cristo na terra. Os encontros fraternos com o pontífice romano e os seus mais próximos colaboradores da Cúria Romana oferecem ao bispo uma ocasião privilegiada, não só de apresentar a situação da própria diocese e as suas expectativas, como também de obter mais informações sobre as esperanças, as alegrias e as dificuldades da Igreja universal, e de re ceber oportunos conselhos e directivas sobre os problemas do seu rebanho.

Dado que a Igreja foi crescendo ao longo dos tempos, o papa serviu-se de vários meios para obter informações sobre a vitalidade da mesma. Todavia, permanece insubstituível a relação pessoal que os bispos ou as conferências episcopais possam ter periodicamente com o romano pontífice.

A visita “ad limina” é, em síntese, o encontro do papa, pastor da Igreja universal, com um irmão no episcopado, com um amigo, com um pastor que carrega consigo o peso de uma grave responsabilidade. Evite-se pensar que esta visita tem um carácter administrativo, burocrático e protocolar. Ela caracteriza-se por um cunho teológico-espiritual.

A última Visita “ad limina” dos bispos do Brasil foi em 2002 com o papa João Paulo II. Nós bispos do Paraná (23) estamos em visita aos túmulos dos apóstolos e ao papa Bento XVI entre os dias 2 e 14 deste mês. Recordo a minha primeira v isita em 2002, quando era bispo de Toledo. Lembro-me perfeitamente, como se fosse hoje, o encontro com João Paulo II, que perguntou sobre a família, a juventude e a participação dos fiéis na Igreja.

Foi uma conversa de pai para filho.

Ele me olhou e disse: “És um bispo jovem! Eu coloquei a minha mão na mão dele, sorri e pedi a benção para mim e para o povo a mim confiado. Nessa visita estou trazendo todos vocês. Estou rezando por vocês e me sinto sustentado pelas vossas orações.

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