Acolher e ser acolhido

Dom José Gislon
Administrador Apostólico de Erexim

Estimados Diocesanos! Quem já passou pela experiência de mudar do campo para a cidade, de uma região para outra em nosso país, ou viver no estrangeiro, onde não se tem o domínio da língua dos habitantes do lugar, ou não se conhece os costumes e a cultura local, talvez dê mais valor às simples palavras “acolher e ser acolhido”.

Na Sagrada Escritura, o livro do Gênesis (Gn 18,1-10a) nos traz uma bonita história de acolhida, que tem como protagonista ninguém menos que Abraão, o nosso pai na fé.  Diz o texto sagrado que certo dia o Senhor lhe apareceu junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada da sua tenda na hora mais quente do dia.  Ao levantar os olhos, viu três homens de pé perto dele.

Ora, Abraão era um homem de idade avançada. Mesmo assim, não deixou que os viajantes prosseguissem seu caminho sem usufruir da sua hospitalidade. Naquela hora mais quente do dia, quando todas as energias estão fragilizadas, Abraão deixa tudo de lado para acolher três estrangeiros, chegados de forma improvisada diante de seus olhos, com gestos puramente gratuitos e desinteressados.

Abraão não conhecia Deus como nós, através da face de Cristo. Ele ignorava a face de Deus, mas ao acolher aqueles três desconhecidos, três estrangeiros, Abraão recebe uma promessa de vida: daqui a um ano nascerá o filho que tanto esperas, e através dele terás uma descendência e um povo tão numeroso como as estrelas do céu. O seu gesto de acolhida reacendeu no seu coração a esperança nas promessas de Deus.

A acolhida do estrangeiro, do irmão, de Cristo é uma única acolhida da vida que Deus nos oferece visitando-nos. Uma novidade de vida que não muda de forma mágica a realidade cotidiana na qual estamos envolvidos, mas toca o nosso íntimo, o nosso olhar e o nosso estar com os irmãos. Acolher e ser acolhido faz praticamente parte da vida de todos nós. Quando acolhemos Jesus, Ele enche de vida nova o nosso ser e nos convida a dedicar-lhe tempo e dar-lhe espaço, a esperarmos que as coisas cresçam e possam amadurecer pela vivência da fé. Às vezes, gostaríamos de fazer tudo a nosso modo, resolver tudo do nosso jeito, entender tudo e explicar tudo, esquecendo que só a paciência da escuta silenciosa d’Ele é capaz de dar paz e serenidade à nossa alma, ao nosso eu e à nossa acolhida e convivência com o outro.

 

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