“Alegria no anúncio do Evangelho” foi tema do Encontro Nacional de Presbíteros

Evento reuniu cerca de 530 presbíteros de todo o Brasil

Com o tema “Presbíteros no Brasil: a Alegria no anúncio do Evangelho” e o lema “Eis que faço novas todas as coisas”, o 16º Encontro Nacional de Presbíteros aconteceu no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, nos dias 19 a 25 de abril.

Promovido pela Comissão Nacional dos Presbíteros e pela Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o evento reuniu cerca de 537 presbíteros de todo o Brasil, além de 16 bispos referenciais e cardeais. O encontro também contou com a presença do do núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello, e do vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger .

No 16º encontro foi eleita a nova presidência da Comissão Nacional de Presbíteros (CNP) para os próximos quatro anos. Padre José Adelson da Silva Rodrigues, da arquidiocese de Natal (RN), foi eleito presidente; padre Helcimar Sardinha da Silva, da arquidiocese de Niterói (RJ), vice-presidente; padre Iuri Ribeiro dos Santos, da diocese de Estância (SE), secretário; e padre Cleocir Bonetti, da diocese de Erexim (RS), tesoureiro.

Na ocasião, também foi divulgada carta destinada “aos irmãos presbíteros e aos seus presbitérios desse imenso Brasil”. O texto traz reflexões do encontro. Confira, abaixo, a carta na íntegra.

CARTA DO ENCONTRO NACIONAL DE PRESBÍTEROS – 16º ENP

O presbítero que ama Jesus e sua Igreja experimenta a Alegria do Evangelho

Aos irmãos presbíteros e aos seus presbitérios desse imenso Brasil

1. Testemunhas da Alegria no anúncio do Evangelho

Em clima positivo de convivência, fraternidade, fé, esperança, alegria, profetismo, partilha de experiências, como filhos de Deus e irmãos em Cristo, nós, presbíteros do Brasil, nos reunimos na Casa da Mãe Aparecida, entre os dias 19 a 25 de abril de 2016.  Somos 564 participantes, sendo 537 presbíteros representando o presbitério de 226 dioceses, 16 Bispos referenciais e cardeais, vice-presidente da CNBB, Dom Murilo Krieger, o Núncio Apostólico Dom Giovanni d’Aniello e 11 convidados. Juntos rezamos, estudamos, refletimos, convivemos e elegemos a nova presidência da CNP. Nosso encontro teve como tema: “Presbíteros no Brasil: a Alegria no anúncio do Evangelho”, e o lema: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5), sob a assessoria do Frei Luiz Carlos Susin e do Pe. Manoel José de Godoy. Contamos também com a presença e a reflexão de Dom Jorge Carlos Patrón Wong, Arcebispo Emérito de Papantla, Secretário para os Seminários da Congregação para o Clero e de Dom Frei Luiz Flávio Cappio. A grande moldura deste encontro é a Alegria no anúncio do Evangelho.

2. Alegria, esperança e criatividade

Como “Igreja em saída”, tocados pelo Espírito de Deus e inspirados pela indicação do Papa Francisco – “não deixemos que nos roubem a Alegria da evangelização” (EG 83)-, iniciamos nossos trabalhos.  Chegamos ao 16º ENP, como os discípulos de Emaús. Como eles, reconhecemos que estamos num mundo em mudança de época. Nesta realidade de constante aceleração e turbulências, nos damos conta dos grandes desafios e riscos, mas, sobretudo, de grandes oportunidades. Se por um lado percebemos a autonomia, o individualismo exacerbado e o pluralismo com risco de relativismo ou de fundamentalismo e fanatismo, por outro lado reconhecemos que uma nova maneira de sociedade está nascendo. Tudo isso, por vezes, nos causa temor, cansaço, angústia, distanciamento da vocação, apatia, indiferentismo, afastamento do chamado e da missão que se expressa na crise do compromisso comunitário (EG 106). Neste contexto os processos de iniciação cristã se apresentam como possibilidade de formar verdadeiros discípulos missionários, por meio da Palavra e da mistagogia, com capacidade de “empoderá-los” como mestres nas novas condições sociais. De fato, percebemos que o anúncio é desafiador e exige o resgate da mística, do profetismo e da fraternidade, para a construção de um tempo novo. Cada presbítero, refeito e revigorado no caminho, deve com leveza, alegremente tornar-se pastor que toma pela mão cada membro da comunidade e o conduz ao encontro com Cristo, numa experiência comunitária e renovadora, como os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35).

3. Somos melhores quando caminhamos juntos

“O ministério ordenado tem uma radical, forma comunitária e pode apenas ser assumido como obra coletiva” (PDV 17). Percebemos, assim, o quanto se faz urgente uma fecunda Pastoral Presbiteral, como cultura necessária para fazer frente às tendências ao isolamento e ao individualismo. Vimos que as duas expressões – Pastoral Presbiteral e Formação Permanente – podem ser intercambiadas, desde que as compreendamos como um processo crescente de conhecimento, interesse e envolvimento pessoal do presbítero. Como se trata de Formação Permanente, ela dura a vida toda, até que se atinja os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (Fl 2,5). O grande desafio é fazer da Formação Permanente uma cultura própria das Igrejas Particulares: desde o cultivo de novas vocações, a promoção e inserção gradual dos seminaristas no corpo eclesial, de modo que, a formação presbiteral se intensifique ao longo da vida. A força do ministério presbiteral é expressão de um trabalho pessoal e fraterno, porém, quando este falta, a Pastoral Presbiteral entra em cena, evitando que haja padres atuando de forma isolada. A perspectiva da colegialidade, tão ensejada pela eclesiologia do Concílio Vaticano II, fomenta uma vida em comunhão, propícia para o cultivo de uma espiritualidade fecunda e um testemunho convincente. A própria Pastoral Presbiteral, no sentido do cuidado, alerta-nos que, para cuidar bem do rebanho o presbítero não deve descuidar de si. Ela se constitui como um lugar de aprofundamento na vocação, na comunhão dos presbíteros entre si e com o Senhor. É um caminho que vem ajudando cada ministro ordenado a abraçar o sonho de Deus para sua vida, exercer o ministério da síntese e iluminar o mundo com a luz do Evangelho de Cristo. Por tudo isso, pode-se afirmar que a formação permanente se impõe como sério dever moral em que está em jogo a fidelidade à vocação de cada presbítero.

4. A alegria no anúncio do Evangelho

“A Alegria do Evangellho enche o coração e a vida interia daqueles que se encontram com Jesus” (EG 1). Ser presbítero do Alegre anúncio do Evangelho torna-se na atualidade um grande desafio, sobretuto, lá onde as trevas tendem a ofuscar a luz. Usando a imagem de João Batista, Dom Patrón aplicou a definição do profeta, como amigo do esposo à vida apóstolica do presbítero: “O amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria, quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela ficou completa” (Jo 3, 29). Alegria que não se limita a algo subjetivo, mas uma atitude de vida que envolve todo o ministério do presbítero. Desde o seu nascimento, João Batista foi um sinal de Alegria e esperança. Suas palavras são uma convocação para que também o presbítero seja sinal de Alegria e esperança na vida das pessoas. Ele é chamado a tornar-se próximo dos pequenos e pobres, dos “resíduos e sobras” (EG 53), defendendo a vida em todas as suas formas, sendo sinal da misericórdia de Deus. Assim, por meio de uma vida pautada pelo Evangelho, o presbítero é um acontecimento de Alegria, uma graça e um sinal das coisas novas na vida daqueles que o Senhor os confiou. Esta Alegria do presbítero nasce de sua amizade e intimidade com Cristo, através da oração pessoal e comunitária, na certeza inabalável de ser alguém amado por Ele. De modo que a sua vida e seu ministério expresse a Alegria do coração do próprio Deus, sendo capaz de atrair, entusiasmar e encher de luz a vida de muitas pessoas.

5. Presbíteros, profetas da Alegria

Fomos exortados a ser profetas missionários no tempo e no espaço em que vivemos. Como tal, somos chamados a fazer resplandecer a luz de Deus nesse mundo, testemunhando o amor de Deus com a vida. O profeta missionário caminha para a superação de todo clericalismo, comodismo e carreirismo; ele se abre à pastoral de conjunto, às novas iniciativas eclesiais, ao amor para com os leigos, consagrados e ministros ordenados, amando-os e deixando-se amar. Como profetas missionários, em comunhão com os nossos Bispos, reafirmamos nossa preocupação com os destinos do nosso país e, principalmente, com os mais pobres, já que “vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional, que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda sociedade”. Somos chamados a reconhecer que a política desprovida de tais valores contradiz o Evangelho do Crucificado Ressuscitado. Neste contexto, denunciamos as contradições presentes e anunciamos, com ousadia, a Palavra, apontando caminhos de paz e justiça, segundo os critérios evangélicos. “A salvação é gratuita, mas o profetismo custa tudo o que temos” (Santo Inácio de Antioquia). Assim, somos chamados, escolhidos, ungidos e enviados para sermos profetas missionários, luz na Igreja de Cristo Jesus.

6. Enviados pelo Amor, Alegres com Maria no anúncio do Evangelho

Sob o manto da Mãe Aparecida escutamos a Palavra do Senhor: “Não se perturbe o vosso coração, tende fé em Deus, tende fé também em mim” (Jo 14, 1).  Mergulhados no amor de Cristo Ressuscitado, retornamos para os nossos presbitérios e comunidades, com o coração aquecido e alegre. O que nos identifica é o fato de sermos marcados pelo amor misericordioso de Deus no nosso ser, existir e agir. Somente um coração que experimenta o amor de Deus é testemunha desse amor, perdão e misericórdia. Saímos para anunciar o Evangelho da Alegria, na certeza de que Deus está sempre conosco, pois experimentamos a sua misericórdia. E por isso suplicamos: “Fica conosco Senhor da Luz, para que façamos novas todas as coisas”. Assim, seja.

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