ANEC: os desafios da Educação Católica no Brasil

“Somente mudando a educação é possível mudar o mundo”, afirmou o papa Francisco durante o encontro “Educar é transformar”, da Congregação para a Educação Católica que ocorreu no Vaticano, em 2018.

Até 2020, a expectativa é que as mudanças propostas para a educação no Brasil com a nova estrutura do Ensino Médio, que terá uma organização curricular mais flexível e com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que é um conjunto de orientações que deverá nortear a (re)elaboração dos currículos de referência das escolas das redes públicas e privadas de ensino de todo o Brasil, estejam implementadas.

Essas mudanças foram aprovadas em 2017 por meio da Lei nº 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O objetivo é promover a elevação da qualidade do ensino no país por meio de uma referência comum obrigatória para todas as escolas de educação básica.

Mas essa é uma realidade que ainda vai dar muito trabalho para ser implementada pelo Governo Federal. E a Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que congrega instituições mantenedoras de estabelecimentos confessionais católicos de educação em todos os seus níveis, graus e modalidades acompanhada de perto esse processo.

De acordo com a ANEC, a implantação da BNCC e da Reforma do Ensino Médio deverão ter papel primordial na educação em 2019. Por isso, a entidade tem buscado apresentar ao governo sua contribuição para a educação como um todo e se colocando à disposição para contribuir na construção de políticas públicas que incidam sobre a missão institucional, que é a educação de qualidade para todos.

O secretário executivo da ANEC, James Pinheiro, diz que a entidade tem trabalhado junto ao governo pela defesa da Filantropia e à reforma da Previdência: “Frente a este novo cenário nos preocupa a visão restrita e segmentada com que a educação vem sendo abordada, sobretudo, no que se refere ao olhar e ao cuidado com os mais necessitados, além de um possível desmonte da participação da sociedade civil na implementação das Políticas Públicas, em especial da Educacional”.

Outro projeto importante para a ANEC neste ano de 2019 é o “Redes em Rede: juntos pela Educação Católica”, que em parceria com a CNBB e com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), tem o objetivo de fortalecer as instituições católicas nos cenários educacional, social, eclesial e cultural.

A educação básica, com foco no combate ao analfabetismo, a qualificação para o trabalho e o fortalecimento da identidade nacional, são os principais pilares da gestão de Ricardo Vélez Rodriguez no Ministério da Educação, além do fortalecimento da educação em creches e escolas, de jovens e adultos e na educação especial de pessoas portadores de deficiências. A educação familiar também é uma das propostas do novo governo que já prepara uma medida provisória para regulamentar a educação domiciliar.

Para a ANEC, o ensino em casa ou domiciliar (homeschooling) não seria uma opção adequada, devido às limitações do conceito de educação, do aprendizado de conteúdos e da formação social de cidadãos. Além de comprometer o desenvolvimento de competências e valores para a vida.

“Indo à escola as crianças e jovens são inseridas no convívio social, com valores e crenças diferentes, conhecem novas realidades, além do exercício do respeito, da tolerância e das diferenças”, destaca o secretário executivo, James Pinheiro.

Diante dessa nova realidade educacional no Brasil, a ANEC realiza o V Congresso Nacional de Educação, que vai ocorrer entre os dias 25 a 27 de março, em Cuiabá (MT).

“Queremos reunir um significativo público de nossas escolas e IES para refletirmos sobre temas da atualidade educacional e, sentirmos mais iluminados pela luz da fé na busca pela inovação, sustentabilidade e humanismo solidário”, ressalta.

As inscrições já estão disponíveis no site site: http://anec.org.br/congresso/

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