Antônio, o santo português que ganhou a fama de casamenteiro no mundo

Santo casamenteiro, santo das coisas perdidas, o pão de santo Antônio… A ele são atribuídas muitas virtudes, muitos milagres e prodígios. O santo nascido em Lisboa, Portugal, ganhou a fama ser casamenteiro pois em certa ocasião intercedeu por uma jovem que teria conseguido fazer um ótimo casamento.

A história retrata que a fama de casamenteiro se deu porque Santo Antônio teria atendido aos rogos de uma moça que para casar precisava um dote. Ela teria recebido de Santo Antônio um bilhete para entregar a um determinado comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça moedas de prata segundo o peso do papel. Pensando que o papel pesaria muito pouco ele aceitou. Mas foram necessários 400 escudos da prata para que a balança chegasse ao equilíbrio. O comerciante lembrou-se de uma promessa que havia feito a Santo Antônio e não havia cumprido: dar 400 escudos de prata. A jovem recebeu a quantia e pode assim casar-se.

Segundo o secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), existem outras histórias. Mas a fama de casamenteiro está presente na piedade de nosso povo e no Brasil, ele é o santo mais estimado.

“Os santos são a historicização da fé. São a visibilização da fé, do Evangelho, do seguimento de Jesus Cristo. Na história da Igreja Deus suscitou homens e mulheres que indicassem a beleza do seguimento de Jesus, a alegria da santidade. A devoção nasce de uma relação do fiel com o santo ou a santa. As devoções são expressão da fé, expressam o desejo de santidade, de transformação. Somos necessitados de presenças que nos animem na caminhada, especialmente no sofrer e no morrer”, ressalta dom Leonardo.

A fama de casamenteiro lhe rendeu muitas crenças populares como virar o santo de cabeça pra baixo, tirar o menino Jesus de seus braços, encontrar a medalha ou imagem no bolo, entre tantas ouras promessas. Outra curiosidade é que o nome de batismo de Santo Antônio é Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo. Ele nasceu em 1195, em Lisboa e aos 15 anos ingressou na Ordem dos Agostinianos. Aos 25 anos, já em Coimbra, foi ordenado sacerdote e adotou o nome de Antônio quando pediu para ingressar na Ordem dos Frades Menores tocado pelo martírio de três Frades Menores em Marrocos, cujos corpos foram enviados ao mosteiro em que se encontrava Santo Antônio.

Segundo dom Leonardo, como frade desejou ir para Marrocos para também receber o martírio, mas o navio foi para na costa da Itália. Ali viveu de maneira, simples entre os frades, até o dia em que foi convidado a fazer a homilia numa festa do convento. Os frades, assim, perceberam o seu preparo e santidade. Foi, então designado para a pregação e para a preparação dos confrades. São Francisco pediu que ele ensinasse teologia aos Frades Menores. Santo Antônio ficou famoso pelas suas pregações, sua via de penitência e pelos milagres.

Padroeiro de Pádua e de Lisboa, o santo venerado por ajudar a arranjar casamentos e encontrar coisas perdidas morreu em Pádua, na Itália em 13 de junho de 1231 aos 36 anos de idade. Ali foi sepultado numa basílica que se tornou lugar de peregrinação. Ele foi canonizado no ano seguinte pelo papa Gregório IX.

Há ainda outra tradição ligada a este santo popular, o famoso pão de Santo António, como “símbolo de proteção e bênção, que se guarda de um ano para o outro, para que não falte o pão na mesa.

Para dom Leonardo a vida dos santos, as santas sevem de inspiração de fé. Pode acontecer que vejam nos santos apenas o final da história, leiamos uma biografia, mas não somos atingidos pela mesma dinâmica do Evangelho que os animava e transformava.

“Na Igreja formamos a Comunhão dos Santos! A comunhão de todos os que foram revestidos e salvos por Cristo Jesus. Vivemos dessa relação profunda e recebemos dessa relação forças e graças”, ressalta.

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