Arca da aliança

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

 

Os antigos judeus, filhos de Levi, transportaram a arca de Deus durante sua caminhada pelo deserto, rumo à terra prometida. Era sinal da presença divina que conduzia e protegia seu povo libertado da escravidão egípcia (Cf. 1 Crônicas 15,3-16,2).

Deus havia prometido fazer surgir do meio do povo hebreu o Salvador, que haveria de estabelecer a justiça e a paz para toda a humanidade. Para isso, deveria haver abertura de todos para a aceitação dele, colaborando com a justiça misericordiosa na terra. Enquanto não houver tal prática humana, a exemplo de Jesus, é preciso haver ininterruptamente o esforço de evangelização por parte dos que creem nele, agindo como verdadeira luz para a humanidade e vivendo como verdadeiro povo de Deus.

Deus quis escolher moça simples, humilde e isenta da corrupção humana,  para acolher seu Filho tornado humano conosco. Ela se transformou em verdadeira arca da aliança divina com a humanidade pecadora. Foi reconhecida e exaltada: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram” (Lucas 11,27). Jesus estende a maternidade de Maria para todos os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam (Cf. Lucas 11,28). Isso nos converte em verdadeira arca de Deus para O conduzirmos, seguirmos e alcançarmos a finalidade de nossa caminhada terrestre. O chão que pisamos às vezes parece arenoso, cheio de percalços e desafios. A situação social, política, econômica e moral em que vivemos nos coloca na responsabilidade de consertar o que está estragado. É possível termos um mundo melhor. Depende de nós, unindo nossas qualidades e oportunidades para irmos em frente, rumo a uma terra sem males. Caminhando com Deus, que está dentro de nós, isso é possível. Basta assumirmos nossa tarefa de sermos discípulos e missionários de Cristo, a exemplo de Maria.

A Mãe de Jesus e nossa conseguiu alcançar a meta final. Na caminhada terrestre ela acompanhou seu filho até o fim de sua missão. Ela O viu glorificado. Ela mesma foi glorificada, sendo levada pelos anjos ao mais alto dos céus. Seguindo seus passos, sendo nós também como arca de Deus, transpomos as barreiras de nossos limites pessoais e sociais e vencemos. O próprio Jesus fala para teremos coragem, pois, com Ele, também venceremos!

O salmo 131 nos mostra a alegria de vivermos na santidade e na justiça, seguindo a arca, como o antigo povo de Deus, que via sua presença em Jerusalém, representando o termo da terra prometida. Agora nós, o novo povo de Deus, somos a Igreja em busca da Jerusalém celeste. Enquanto ainda peregrinos neste planeta, vivemos apresentando a certeza da ação de Deus na história humana. Por isso, vivemos na alegria da certeza da vitória do bem sobre todo tipo de mal. Como a mãe de Jesus triunfou, também nós triunfaremos.

 

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