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Ação do Espírito Santo

A cada ano, a Igreja celebra a Solenidade de Pentecostes em seu calendário litúrgico. A ação do Espírito Santo se faz sentir na vida da Igreja, desde os primórdios ao tempo presente. A natureza de sua ação no dia a dia da Igreja, ao longo dos tempos, se diferencia do caráter excepcional da sua manifestação em Pentecostes. Apesar disso, é percebida a ação continuada do mesmo Espírito que age na Igreja, assegurando-lhe o dom da fidelidade, unidade e comunhão, apesar dos obstáculos externos e dos problemas internos que fazem parte da sua história antiga e atual.

São Cirilo de Jerusalém, bispo do século IV, comparava a importância da água no mundo da natureza à ação do Espírito Santo na vida da Igreja. “Por que motivo o Senhor dá o nome de ‘água’ à graça do Espírito Santo? Certamente porque tudo tem necessidade de água; ela sustenta as ervas e os animais. A água das chuvas cai dos céus; e embora caia sempre do mesmo modo e na mesma forma, produz efeitos muito variados. De fato, o efeito que produz na palmeira não é o mesmo que produz na videira; e, assim em todas as coisas, apesar de sua natureza ser sempre a mesma e não poder ser diferente de si própria. Na verdade, a chuva não se modifica a si mesma em qualquer das suas manifestações. Contudo, ao cair sobre a terra, acomoda-se às estruturas dos seres que a recebem, dando a cada um deles o que necessita. Com o Espírito Santo acontece o mesmo. Sendo único, com uma única maneira de ser e indivisível, distribui a graça a cada um conforme lhe apraz. E assim como a árvore ressequida, ao receber a água, produz novos rebentos, assim também a alma pecadora, ao receber do Espírito Santo o dom do arrependimento, produz frutos de justiça. O Espírito tem um só e o mesmo modo de ser; mas, por vontade de Deus e pelos méritos de Cristo, produz efeitos diversos.” Por sua vez, São Basílio Magno, outro bispo do século IV, compara a ação do Espírito Santo à função do sol: “Todos dele participam e permanece íntegro, à semelhança dos raios do sol que fazem sentir a cada um a sua luz benéfica como se fosse para ele só, e contudo iluminam a terra e o mar e se difundem pelo espaço. Assim é também o Espírito Santo: está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo, como se estivesse nele só, e, não obstante, dá a todos a totalidade da graça de que necessitam.”

A ação do Espírito Santo na vida da Igreja e das pessoas é multiforme. Acontece pela via sacramental, mas vai além, ao revelar-se através de inúmeros carismas que são manifestações de sua ação na vida de instituições e de pessoas. Evidentemente, há necessidade de se identificar a natureza desses carismas e, portanto, identificar-se a sua procedência divina porque, reconhecidamente, há manifestações que não passam da esfera natural e humana. Com efeito, conforme ensina Jesus, o Espírito Santo é o espírito da verdade. Graças à sua iluminação e às suas inspirações, os fiéis podem discernir entre a verdade e a aparente verdade, entre o generoso serviço aos irmãos e aquele guiado por interesses de ordem humana e social. A ação do Espírito Santo também se faz sentir na vida das pessoas ao suscitar o desenvolvimento daquelas potencialidades que contribuem para o bem comum. Por sinal, é nessa perspectiva que São Paulo identifica a ação do Espírito Santo, ao escrever sobre a diversidade de dons, carismas na vida do ser humano: “A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos. (...) Todas essas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer.” (1Cor 12, 7.11)

A ação continuada e sempre norteadora do Espírito Santo se faz presente na vida da Igreja, nos seus tempos de calmaria ou de turbulência, como registra a história.

Dom Genival Saraiva

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