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Oração, solidariedade e fé no momento de dor!

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

Uma semana nos separa do trágico acontecimento que parou a cidade do Rio de Janeiro e abalou o Brasil. Neste dia 2 de Fevereiro, as 10 horas, em nossa Catedral Metropolitana de São Sebastião celebraremos pelos falecidos a missa  de sétimo dia. Tempo insuficiente para enxugar as lágrimas que ainda correm pelos rostos de todos nós: amigos, colegas e familiares das vítimas. Para uns, é um período difícil preenchido por sofrimento, dor e vazio. Para outros, que conseguiram sobreviver, é um renascer. Para todos, é um momento de oração e de elevar nossas almas a Deus e pedir forças para conseguir carregar esta carga pesada e difícil. Nós pensamos com todos os que passam diante do local: qualquer um de nós poderia ter estado lá naquele momento.

Acompanhei e continuo acompanhando com minhas orações a todos: familiares, socorristas, policiais, autoridades, bombeiros, assistentes sociais que foram envolvidos nessa tragédia. Nessa intenção já celebramos no local dos atendimentos das pessoas que foi a Câmara Municipal. Encontrei-me nesse dia com alguns familiares das vítimas e buscando consolar, devo confessar que saí consolado.  Diante da fé e força de vocês é impossível não emocionar-se. Os padres que em meu nome e da nossa Igreja estiveram tanto no local da tragédia como no de atendimento naqueles dolorosos dias também me relataram a força e a coragem de todos.  As palavras que mais saíram dos lábios das testemunhas desse trágico acidente foram: fé, esperança e confiança em Deus. São nesses momentos que percebemos que a dor e o sofrimento são como uma chave que abre mais ainda nossos corações a Deus. Como no vazio, na tristeza e em meios às lágrimas pode surgir uma oração de clamor e esperança?

A resposta parece simples, mas exige muita fé. Nosso Deus não é um Deus qualquer. Nosso Deus entrou na história, se fez carne e habitou e habita entre nós. Ele caminhou por estas terras e também chorou. Nosso Deus não é indiferente ao nosso sofrimento, pois Ele mesmo sofreu. A dor e o sofrimento permitem compreender que o único necessário é Cristo e Ele nunca falha.

Hoje, mais do que nunca, devo dizer àqueles que sofrem: vocês não estão sozinhos. Deus está com cada um de vocês e escuta o clamor dos corações machucados pela dor da separação.  Cristo venceu a morte. Ele é a fonte de vida eterna. Nossos irmãos não são como uma vela que se apaga, são estrelas que brilham diante de Deus. Nós cremos na vida que não termina com a morte.
A esperança é a característica dos cristãos. Os pagãos romanos chamavam de necrópoles, cidade dos mortos, o lugar onde deixavam os restos mortais de seus entes queridos. Para eles, e para muitos hoje, o único modo de eternidade seria através da recordação dos que se foram. Cristo nos mostra outra realidade e nós chamamos esse local de cemitério, que significa dormitório. Para nós, nossos seres amados não morreram, eles não caíram no vazio do nada ou da memória: eles continuam vivos, e os seus corpos estão adormecidos à espera da ressurreição.

A meta de cada um de nós é chegar ao final de nossas vidas e dizer como S. Paulo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça que me dará o senhor, justo Juiz, naquele Dia” (II Tim 4, 7-8).

Nossos irmãos nos precederam no caminho da eternidade. Cristo Ressuscitou, Ele venceu a morte. Nós cremos na vida eterna. Rezamos pelo repouso eterno dos entes queridos que voltaram para a casa do Pai. Oramos por todos os familiares para que a paz e a esperança estejam em seus corações. Pedimos por todos os que trabalharam no local e no atendimento para que, tendo sido testemunhas de situações limites, continuem com esperança na construção de um mundo solidário e fraterno. Pela nossa cidade para que a vida seja sempre preservada e valorizada em todas as situações e etapas. E que em Cristo encontremos o caminho que nos conduz a todos para o Pai.

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