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Caridade na verdade

Dom Orlando Brandes

Caritas in Veritate é o nome da primeira carta-encíclica de Bento XVI em comemoração aos quarenta anos da Populorum Progressio (1967) de Paulo VI, cujo tema central é o desenvolvimento humano integral.

O progresso técnico é fascinante e tem alcançado grandes sucessos. Mesmo assim, o mundo sofre com o aparecimento de novas pobrezas, com o aumento das desigualdades sociais, com a corrupção e ilegalidade que gerou a atual crise mundial. A fome assola o planeta, a violência, o terrorismo, as migrações, a degradação do meio ambiente e tantas outras realidades mostram que não é suficiente o progresso técnico. Grande miséria é desconhecer o amor e a verdade.

Leis, instituições e técnica não conseguiram implantar a justiça, o direito, o bem comum e o desenvolvimento integral. Diante disso, precisamos da força propulsora do amor e da verdade. O amor revigora a justiça e vai além dela. A verdade gera confiança, diálogo, responsabilidade social e combate a corrupção, a fraude, a ilegalidade e imoralidade pessoal e pública.

O mundo precisa do amor e da verdade para alcançar o verdadeiro humanismo, o desenvolvimento integral, e o bem comum. O absolutismo da técnica e o progresso material não promoveu a distribuição da renda, nem a partilha dos bens e recursos, nem a solidariedade entre as nações. A globalização nos faz vizinhos, mas não nos faz irmãos.

A caridade e a verdade oferecem condições para um verdadeiro desenvolvimento integral porque facilitam o crescimento humano, ético, espiritual e transcendente da pessoa, ou seja, o desenvolvimento de “todo o homem e de todos os homens”. O diálogo, a relação humana, a fraternidade, a solidariedade, a gratuidade, a comunhão dependem do amor e da verdade na convivência social. O desenvolvimento integral tem necessidade do ardor da caridade e da sabedoria da verdade.

O anúncio de Jesus Cristo, do evangelho e do reino é o primeiro e principal fator do desenvolvimento. A Igreja agindo por amor, sendo misericordiosa, promove o desenvolvimento integral e serve o mundo a partir do amor e da verdade. Há laços profundos entre evangelização, promoção humana, desenvolvimento e libertação.

Eclipsar Deus e expulsá-lo da vida social e pública contribuirá para um humanismo desumano, para a absolutização da técnica, o relativismo, o reducionismo. Temos hoje um “superdesenvolvimento técnico e um subdesenvolvimento moral”. O desenvolvimento global focaliza o “autêntico capital” que é a vida humana, a qual é destinada para a vida eterna. Sem a perspectiva da vida eterna o progresso humano fica privado de respiro.

O desenvolvimento humano é uma vocação, um desígnio que vem de Deus que pronuncia o seu maior “sim” ao homem. Deus quer que o homem tenha mais para “ser mais”. O “capital social” pelo qual devemos tudo fazer é a fraternidade, a confiança, o respeito pela pessoa humana. Não basta a “lógica mercantil”, é preciso a “lógica da gratuidade” ou seja, a economia da gratuidade, a democracia econômica, a civilização da economia.

Ainda hoje, “os povos da fome se dirigem de modo dramático, aos povos da opulência”. Somos uma grande família, somos irmãos. O desenvolvimento é responsabilidade de todos. Precisamos revisar nosso estilo de vida. O egoísmo e o consumismo são pobrezas. Não há desenvolvimento nem bem comum sem o bem ético e o bem espiritual. Além do crescimento material existe o mais importante que é o desenvolvimento espiritual.

Somos no mundo uma família. Cuidemos de nossa casa comum, a terra. O outro não é apenas vizinho, é irmão. A comunidade internacional, é uma grande família e por isso deve promover a integração e vencer a marginalização. Ser família é viver a comunhão, o relacionamento, a reciprocidade, a inclusão de todos os seres humanos e de todos os povos. Deus é Criador e Pai, nós somos filhos e irmãos. O mundo é uma família.

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