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Animação Bíblica da Pastoral

Dom Paulo Mendes Peixoto

Bispo de São José do Rio Preto - SP

À primeira vista, o tema parece novidade, mas não é. A pastoral é termo ligado a pastor, tendo seu embasamento na Palavra de Deus. Palavra que anima, dá fundamento e ilumina a trajetória de todas as pastorais. A bíblia é como a “alma” da pastoral da Igreja, que provoca entusiasmo, zelo e ardor em seus agentes.

Olhando para o Documento de Aparecida, ali está em destaque o “encontro pessoal com Jesus Cristo”, fala da “conversão pastoral” e do “conhecimento da Palavra”. Tudo isto é essencial para que a pastoral seja instrumento eficiente de realização da ação profético-missionária da Igreja, principalmente dentro da cultura dos últimos tempos.

O critério principal apresentado pela bíblia é de fazer com que as pessoas imitem Jesus Cristo na missão de evangelizar, tendo prática cristã a serviço da vida. Isto supõe profundo conhecimento da Palavra, indo além do texto e do contexto bíblico, vivenciada nas preocupações da pastoral. Com isto a Palavra se torna realidade na vida da Igreja e presença viva nas realidades concretas.

A bíblia, durante muito tempo, ficou distante das mãos dos católicos. Há hoje uma maior aproximação dela, um maior respeito, amor, fome e sede. Mas temos muito ainda para caminhar. A palavra “animação” é muito importante, principalmente motivando, nos agentes pastorais, a leitura da Sagrada Escritura.

Tivemos algumas marcas de incentivo para o valor do texto sagrado nos últimos tempos. No Concílio Vaticano II houve o destaque da “Dei Verbum”, mostrando o valor da inspiração bíblica e a importância a Palavra em nossa vida. Esse documento convocou toda a Igreja para retomar a leitura e a prática da Palavra de Deus.

O Sínodo dos bispos em 2008 retoma a Dei Verbum numa linguagem atualizada. Fala da Voz da Palavra, que é a Revelação; do Rosto da Palavra, que é Jesus; da Casa da Palavra, que é a Igreja; e do Caminho da Palavra, que é a Missão. Com isto entendemos que é preciso deixar-se embeber pela Palavra de Deus na pastoral.

Temos agora, em mãos, a Exortação Apostólica Pós-sinodal, de Bento XVI, a “Verbum Domini”. O papa mostra o carinho do Pai para com os seus filhos, revelando a sua identidade como via de salvação que deve ser percorrido por todas as pastorais. A Exortação vem como uma motivação de ânimo para toda a Igreja.

A Igreja, como Casa da Palavra, e incentivadora das pastorais, deve exercer sua liderança de forma amorosa, apresentando com clareza a Palavra de Deus. Essa Palavra deve ser o ponto de unidade e de convergência de todas as pastorais da Igreja Particular, evitando assim a dispersão que dificulta a ação.

A fecundidade da bíblia na pastoral depende do Espírito Santo. É ele quem nos mostra que a Palavra de Deus é Cristo, é a presença do próprio Deus no projeto da salvação. Isto significa que a Palavra não é adendo na pastoral, mas é fonte primeira e constante para animar e dar dinamismo para os agentes nas comunidades.

Muitas pastorais estão desanimadas, sem vida, perderam o entusiasmo e o rumo da missão. Elas precisam de um sangue novo para aquecê-las. Não existe outro caminho se não for a força renovadora da Palavra de Deus. Isto tem que ser percebido pelos seus agentes, alimentando-se com o “Pão da Palavra”.

As pastorais sofrem as influências da mudança de época, que é realmente um fenômeno que atinge a todos, criando surpresas e perplexidade inimagináveis. O discípulo missionário, como pessoa de fé, passa a preferir ficar no comodismo, na infertilidade e inoperância diante da Palavra de Deus.

Quando falamos de animação bíblica da pastoral, estamos preocupados com o vigor da animação, da força da Palavra de Deus e dos frutos que as pastorais devem produzir. É sinal de que não podemos ficar em apenas discursos religiosos, mas perceber as exigências concretas do povo de Deus deste tempo.

Enfim, só teremos pastorais pertinentes se criarmos intimidade com a Palavra, com Jesus Cristo ressuscitado e vivo em nosso meio. Isto cria relações afetivas, comprometidas e atuantes, transformando os corações e as mentes das pessoas. Com isto as pastorais não serão de compromisso só dos pastores, mas de todo o povo da comunidade cristã.

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