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A criação geme e sofre dores de parto...

Dom Redovino Rizzardo, cs

Bispo de Dourados - MS

De acordo com as primeiras páginas da Bíblia, a alegria de Deus crescia a cada etapa que terminava durante os cinco dias em que trabalhou para criar o planeta terra. Por seis vezes, se afirma que «Deus viu que era bom» (Gn 1,10.12.18.21.25). Mas, no sexto dia, quando completou a sua obra-prima – o homem e a mulher –, sua felicidade chegou ao auge: «Deus viu que tudo quanto havia feito era muito bom» (31).

Infelizmente, esse encanto não durou muito. O pecado não tardou a aparecer e a contaminar tudo quanto existia. Começando por Adão e Eva e passando por Caim e Abel, foi semeando morte e destruição em toda a parte. Ao perceber os caminhos tortuosos percorridos pela humanidade, o Criador se sentiu frustrado e abatido: «Deus viu que a maldade do homem crescia na terra e que todo projeto do coração humano era voltado para o mal. Então ele se arrependeu de ter feito o homem, e seu coração ficou magoado» (Gn 6, 5-6).

O que o texto afirma em parábolas e alegorias é que o homem não cumpriu com a tarefa que lhe fora confiada: «O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden, para que o guardasse e o cultivasse» (Gn 2,15). Pelo contrário, seu pecado, após romper a comunhão que o ligava a Deus e a seus semelhantes, se refletiu também sobre a natureza. Foi assim que ela começou a ser vista não mais como um presente de Deus para amar e cuidar, a fim de ajudá-la a realizar a tarefa de alimentar e sustentar a humanidade até o fim dos tempos, mas como um bem que se pode desfrutar, alienar e destruir do jeito que se quer. A situação acabou se degradando de tal modo, que acabou se tornando um dos maiores dramas da atualidade.

É o que expressa a oração preparada pela Igreja para ser rezada durante a Campanha da Fraternidade de 2011: «Senhor Deus, nosso Pai e Criador. A beleza do universo revela a tua grandeza, a sabedoria e o amor com que fizeste todas as coisas, e o eterno amor que tens por todos nós. Pecadores que somos, não respeitamos a tua obra, e o que era para ser garantia da vida, está se tornando ameaça. A beleza está sendo mudada em devastação, e a morte mostra a sua presença no nosso planeta».

Com o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”, a Campanha da Fraternidade deste ano deseja estimular os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a tomar consciência de uma das maiores responsabilidades que lhes cabe no mundo, qual é a de assumir, como uma questão de vida ou de morte, a luta pela preservação do meio-ambiente, sobretudo em vista das graves mudanças que revolucionam o clima do planeta nesses últimos tempos.

Foi o que explicou Dom Dimas Lara Barbosa ainda no dia 21 de outubro de 2010, na apresentação da Campanha à imprensa: «A Campanha da Fraternidade de 2011 reflete a questão ecológica, com foco, sobretudo, no problema das mudanças climáticas. Ela se coloca em sintonia com uma cultura que está se expandindo cada vez mais em todo o mundo, de respeito pelo meio ambiente e pelo lugar em que Deus nos coloca, não só para vivermos e convivermos, mas também para fazer dele o paraíso com o qual tanto sonhamos».

O relato bíblico que fala do arrependimento de Deus por ter criado um ser humano tão destruidor, também revela o seu compromisso com o futuro do planeta: «Nunca mais tornarei a punir a terra por causa do homem, pois as inclinações do seu coração são más desde a infância» (Gn 8,21). É por isso que Jesus veio ao mundo «não para condená-lo, mas para salvá-lo» (Jo 12,47). Foi o que fez com a sua morte e ressurreição. Cabe, agora, ao homem posicionar-se contracorrente, fazendo seu o amor de Deus pelo mundo e cuidando da obra que ele iniciou e agora confiou ao desvelo de seus filhos.

A Campanha da Fraternidade de 2011 escolheu como lema: «A criação geme como em dores de parto». As palavras são da Carta aos Romanos, cujo texto completo é muito rico e abrangente: «A criação alimenta a esperança de ser, ela também, liberta da escravidão da corrupção, para participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. Até agora, toda a criação geme e sofre dores de parto» (Rm 8,20-22).

A natureza reflete o que anda no coração humano: se ela está degradada, é porque o coração se degradou.

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