Ascensão do Senhor e Dia Mundial das Comunicações Sociais

Dom Manoel João Francisco
Bispo de Cornélio Procópio

 

No próximo domingo, dia 13 de maio nós católicos do Brasil estaremos celebrando a Ascensão do Senhor. Esta solenidade “põe diante dos olhos Cristo que à vista dos discípulos subiu ao Céu, onde está sentado à direita de Deus, revestido de régio poder, a reservar para os seres humanos o reino celeste, e de onde há de vir novamente no fim dos tempos”. A celebração da Ascensão do Senhor está prevista para o quadragésimo dia depois da Páscoa, mas como no Brasil este dia não é feriado, transfere-se para o VII domingo da Páscoa. Antes da reforma litúrgica prevista pelo Concílio Vaticano II, após a proclamação do Evangelho, o diácono apagava o Círio Pascal, símbolo da Ressurreição. Em muitos lugares, foi conservado este rápido rito, que exprime de maneira tão singela a subida de Cristo ao céu.

A primeira leitura, tirada dos Atos dos Apóstolos, apresenta-nos os Apóstolos olhando para o céu. É um símbolo da Igreja. Desde a Ascensão de Cristo, ela não deixa de olhar para o céu, desejosa de, quanto antes, participar da glória de seu divino Mestre.

A Ascensão do Senhor, como diz a Oração da Coleta, “já é nossa vitória”. Este pensamento sempre causou profunda impressão nos cristãos. Por isso cantam no Prefácio: “Ele, após a Ressurreição, apareceu aos discípulos e, à vista deles, subiu aos céus, a fim de nos tornar participantes de sua divindade. Por isso, o mundo inteiro exulta de alegria pascal”.

 Na solenidade da Ascensão, por determinação do Papa Paulo VI, desde 1967, celebramos também o Dia Mundial das Comunicações Sociais”. Como em outras comemorações, também para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, os Papas costumam enviar uma mensagem aos católicos do mundo inteiro.

A mensagem deste ano tem como tema: “A verdade vos tornará livres (Jo 8,32), fake news e jornalismo de paz”. Publicada no dia 24 de janeiro de 2018, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, como o próprio Papa diz, tem a intenção de contribuir no “esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas, na redescoberta do valor da profissão jornalística e da responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade”.

De forma clara e didática, logo no segundo parágrafo de sua mensagem, o Papa esclarece o que entende por fake news. Elas dizem respeito à “desinformação transmitida on line ou nos mass-media tradicionais. São informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos”.

As fake News têm sua “raiz na sede de poder, ter e gozar”. Incitam o ódio e fomentam conflitos. Usando a “a lógica da serpente, o mais astuto de todos os animais” (Gn 3,1-15), são capazes de se camuflar e picar em qualquer lugar. De fato a serpente foi “a artífice da primeira fake news que levou às trágicas conseqüências do pecado, concretizadas depois no primeiro fratricídio (Gn 4) e em inúmeras outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação”.

Segundo o Papa Francisco, embora não seja uma tarefa fácil, ninguém de nós pode se eximir da responsabilidade de se opor às fake news. Neste sentido são muito louváveis as iniciativas que ensinam as pessoas, especialmente as mais jovens, a ler e a avaliar o contexto comunicativo para não se tornarem divulgadores inconscientes de desinformação. Igualmente é muito importante a elaboração de leis que circunscrevam e normatizem este novo fenômeno da comunicação. É preciso que se afirme com toda clareza que “nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz conseqüências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos”.

Dirigindo-se diretamente aos jornalistas a quem chama de “guardiães da notícia” e que desempenham não apenas uma “profissão”, mas assumem uma “verdadeira e própria missão”, lembra-lhes que o compromisso com um “jornalismo de paz não é um jornalismo “bonzinho”, que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos. Pelo contrário, trata-se de um jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo são a maioria – que não tão têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar as notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos; um jornalismo empenhado a indicar soluções alternativas à escalada do clamor e da “violência verbal”.

 

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