Bispo escreve mensagem por ocasião do Dia Nacional dos Ciganos

No texto, dom Edson Santana recorda o convite do papa Francisco para erradicar preconceitos

O bispo de Eunápolis (BA) e referencial da Pastoral dos Nômades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Edson Santana Oliveira, divulgou  mensagem para o Dia Nacional dos Ciganos, celebrado nesta terça-feira, dia 24 de maio. Dom Edson recorda as palavras do papa Francisco durante a peregrinação mundial do povo cigano, organizada pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes. O encontro, realizado em outubro de 2015, celebrou os 50 anos da visita do beato Paulo VI ao acampamento de ciganos na região da Pomezia, na Itália.

Na mensagem, dom Edson destaca que Francisco “não só lança um olhar de misericórdia para com os desafios oriundos da discriminação, do racismo e da xenofobia, mas  apresenta luzes de encorajamento” em meio aos desafios enfrentados pelo povo ciganos.

 Leia a mensagem na íntegra:

Chegou o tempo de erradicar preconceitos

24 de maio
Dia Nacional dos Ciganos

“Chegou o tempo de erradicar preconceitos seculares, preconceitos e recíprocas desconfianças que frequentemente estão na base da discriminação, do racismo e da xenofobia. Chegou o tempo de erradicar preconceitos”. (Papa Francisco aos Ciganos)

O homem desde sempre é convidado a conviver com as diferenças; sejam sociais, raciais, culturais ou religiosas. Não nos falha a memória quando recordamos, seja quem viveu ou ouviu falar, do Holocausto, da escravidão que se tornaram tristes exemplos de intolerância e opressão. Paira no ar uma aparência como que na mesma medida que a tecnologia foi tornando a comunicação mundial mais veloz e democrática, as ofensas raciais, socioculturais e até mesmo religiosas foram se ampliando e fazendo com que cada vez mais percebamos quão difícil parece reconhecer o outro e exercer a tolerância passiva. E essa intolerância, também se aplica aos sofrimentos os quais passam nossos irmãos ciganos. As leis que colocam todos iguais perante a sociedade parece está fora de pauta do dia. Todavia, o Papa Francisco ressalta que,“No que diz respeito à situação dos ciganos em todo o mundo, hoje é imprescindível desenvolver novas abordagens em âmbito civil, cultural e social, bem como na estratégia pastoral da Igreja para lidar com os desafios que surgem de formas modernas de perseguição, de opressão e, às vezes, até de escravidão”,

Diante deste cenário, o santo Padre o Papa Francisco não só lança um olhar de misericórdia para com os desafios oriundos da discriminação, do racismo e da xenofobia, mas nos apresenta luzes de encorajamento em meio a esses desafios. E falando ao povo cigano, vitimas da discriminação em muitos lugares onde vivem, os encoraja dizendo o quanto a Igreja os acolhe como filhos muito amados e que redescobrissem como povo seus valores e dignidade para que outros não tenham motivos de os olharem com discriminação. “Chegou o tempo de erradicar preconceito”!

Erradicar preconceitos! É uma frase profética, num mundo onde o outro, às vezes, é visto como uma ameaça e não como um irmão! Os latinos tem uma expressão para “eu” que é “ego” e duas expressões para não “eu” que é “Alter” que significa o “outro” e outra que significa “alius” que significa “estranho”, “alheio”. E observando a contemporaneidade é como se estivesse sempre mais crescendo uma cultura de olhar para o outro como um estranho. “Estranho”, ou estrangeiro no sentido mais amplo da palavra; “forasteiro”, ou seja, aquele que não é daquele lugar, aquele que é de fora, até mesmo, às vezes, entendido num sentido pejorativo; de fora da “minha classe social”, do “meu grupo”, ou seja, aquele que não é como nós! Essa noção de ser estranho uns aos outros, não reconhecendo no outro os valores, a dignidade, a liberdade de expressão faz com que o preconceito se torne cada vez mais forte. Entretanto, ainda nos ensina o Papa; “Aqui se encontra a atenção da Igreja e a contribuição específica de vocês. O Evangelho, de fato, é anúncio de alegria para todos e, em modo especial, para os mais vulneráveis e marginalizados. A eles somos chamados a garantir a nossa proximidade e a nossa solidariedade, seguindo o exemplo de Jesus Cristo que testemunhou a eles a predileção ao Pai.” Sendo assim, que possamos nos unir as intenções do Santo Padre apresentando ao mundo o Rosto Misericordioso do Pai que é Jesus Cristo, a Misericórdia Encarnada, redescobrindo como Igreja discípula-missionária a Alegria de ver no povo cigano, como em outros povos, a beleza de um Deus que é Pai de todos!

Para isso, o Papa Francisco encorajou a Pastoral dos Nômades a prosseguir com generosidade essa importante obra e a não desanimarem, mas continuarem no empenho em favor de quem realmente está em condições de necessidade e marginalização, nas periferias humanas. “Que os ciganos possam encontrar em vocês, irmãos e irmãs que os amam com o mesmo amor que Cristo amou os mais marginalizados. Sejam para eles, o rosto acolhedor e alegre da Igreja.”

 

Dom José Edson Santana Oliveira

Bispo Diocesano de Eunápolis Costa do Descobrimento e
Referencial da Pastoral dos Nômades da CNBB

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