Bispos falam da experiência de um dia ter servido a CNBB e a AG como assessores

O dia 4 de maio de 2011 dificilmente vai ser esquecido por dom Wilson Luís Angotti Filho, atual Bispo de Taubaté (SP). Uma conversa particular com o núncio apostólico nessa data mudaria sua vida. “Estávamos organizando, enquanto Comissão Episcopal da Doutrina da Fé, a publicação do ‘Documenta’, que atualiza o rol de documentos da Congregação de Doutrina da Fé. Aguardávamos da nunciatura um documento de Roma autorizando a publicação aqui no Brasil”.

O bispo lembra que quando foi chamado pelo núncio pensou trata-ser da resposta. O susto se deu, segundo ele, justamente porque foi chamado a uma salinha onde o núncio comunica as nomeações.  Foi lá que ele recebeu a notícia de que havia sido nomeado bispo auxiliar de Belo Horizonte. “Perguntei até quando poderia dar a resposta e ele me disse: ‘agora!’”

Na época de sua nomeação episcopal, o então padre Wilson era um dos assessores da Comissão Episcopal Pastoral para Doutrina da Fé, que tem como função assessorar o episcopado brasileiro em algumas questões doutrinais e trabalhar as questões de fé e da moral dentro da Conferência. Experiência vivida que o ajuda a exercer seu episcopado.

“Quando a gente sai do trabalho em uma diocese e passa a trabalhar e ajudar num órgão como a CNBB conhece experiências muito mais amplas, de um país inteiro e regiões diferentes, de um episcopado com problemas diferentes. Experiência rica que amplia os horizontes da gente, o que é uma riqueza. Certamente isso contribui para que a gente possa desenvolver o episcopado com um olhar e consciência amplas, sabendo respeitar a pluralidade e diferenças dentro de uma igreja particular”, disse.

Ter sido assessor da CNBB faz parte do curriculum de alguns dos bispos presentes nesta 56ª Assembleia Geral que ocorre entre os dias 11 e 20 de abril em Aparecida (SP). É o caso de dom Moacir Arantes, bispo auxiliar de Goiás (GO), que assessorou a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família e também de dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar de São Paulo (SP), que por cinco anos atuou como Secretário Executivo das Campanhas da Fraternidade e da Evangelização. E ainda de dom José Altevir da Silva, Bispo de Cametá (PA), que durante um tempo do seu ministério presbiteral se dedicou à assessoria da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária.

O assessor tem uma função primordial junto à presidência da CNBB, informando e refletindo sobre alguns temas específicos. Mas é preciso deixar claro: eles nunca falam em nome da Conferência dos Bispos. “Na minha função na comissão de Doutrina ajudava a organizar os documentos, sempre encaminhando a um bispo ou outro aquilo que seria a publicação da CNBB para evitar que na parte doutrinal fosse publicado alguma coisa que gerasse dúvidas. Também fazíamos o acompanhamento das publicações teológicas em âmbito de Brasil”, disse.

Dom Majella ao centro. Foto: Assessoria de Imprensa CNBB/Adielson Agrelos

Outro bispo que também passou pela CNBB antes da nomeação episcopal foi dom José Luiz Majella Delgado, arcebispo de Pouso Alegre (MG). Convidado para ser Secretário executivo local para a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho (CELAM) em 2007, logo foi convidado para assumir a função de subsecretário adjunto geral da CNBB em Brasília.

“Me aproximava de bispos e às vezes um ou outro partilhava as inquietações de suas dioceses. Todo esse trabalho me deu uma noção do que era uma assembleia, a estrutura, a logística. Todos os debates a gente ficava presente e fui entendendo um pouco sobre o que era a CNBB”. Por causa desse trabalho, dom Majella passou a ter uma relação filial com a CNBB. “Eu defendo a CNBB não por uma questão ideológica e nem por ser bispo, mas porque eu vivi o interior da CNBB, vivi o interior das assembleias. Hoje me sinto em casa e cresço. Deus me preparou para bispo me colocando na Conferência dos Bispos do Brasil”.

Por padre Andrey Nicioli

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