Bournout: o cansaço dolorido que atinge os religiosos

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos

Não se trata de um modismo ou uma doença exótica ou rara, mas a síndrome de Bournout configura para padres e religiosos um verdadeiro espinho na carne. Trata-se de um desgaste que vai envolvendo a pessoa inteira levando-a a um estado depressivo de apatia existencial, na qual se perde o gosto e sabor de viver e o sentido da própria vocação.

O teólogo espanhol, José Antônio Pagola, chama a atenção para a presença, em muitas comunidades eclesiais, de um estilo de pastoral pouco sadio, caracterizado por: isolamento e distanciamento das pessoas nos seus conflitos e crises de cada dia; elevado grau de “medo social” sob formas de medo do fracasso e da crítica; medo do contato com os problemas; modos de evitar o encontro interpessoal; pouca capacidade para aceitar, com franqueza, as suas sombras e debilidades; construção do seu eu e do mundo.

afastada da realidade; atitudes de dogmatismo muito pronunciado, voltando-se a uma mentalidade “retrô” ancorada no passado. Podemos acrescentar, ainda, condições estafantes da jornada de um sacerdote numa grande cidade: ativismo exagerado; desencanto rotineiro; grande dispersão pela carência de um eixo unificador; notável ausência de vida interior e silêncio; uma fé deformada pela profissionalização e burocratização do ministério.

Para encontrar caminhos de superação torna-se necessário parar para encontrar-se, vitalizar os grupos de revisão, vivência e partilha fraterna do presbitério, adoção de um estilo pastoral mais sadio, íntegro e evangélico que desenvolva mais a autenticidade (contra as máscaras do mundanismo espiritual), auto estima positiva e congruência, empatia e simplicidade.

Construir vínculos de paternidade e fraternidade espiritual com o povo especialmente os mais pobres e necessitados, que sempre tem muito carinho e ternura para acolher e acompanhar. O importante é não esquecer que um irmão sacerdote, para o padre que está afetado pelo Bournout, é uma cidade amuralhada, uma presença amorosa e terapêutica insubstituível, pela empatia, amizade e proximidade.

Que Jesus, nosso Irmão, amigo e irradiador de vida plena, nos conceda fortalecer a pastoral presbiteral para prevenir, acompanhar e ajudar nestas situações, sendo sinais vivos de um pastoreio solicito e compassivo para nossos colegas. Deus seja louvado!

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