Campanha da Fraternidade 2019

Dom Aloísio Alberto Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

 

Estimados diocesanos. Na quarta-feira de cinzas iniciamos a quaresma, tempo que tem o objetivo de preparar-nos para a Páscoa. A quaresma recebe um caráter de penitência e de mudança de vida. Por isso a Igreja propõe aos fiéis alguns exercícios físico-espirituais, inspirados no evangelho: jejum, esmola e oração (Mt 6, 1-18), convidando para despertar a fome de Deus e a disposição de saciar a fome dos irmãos em necessidade por gestos de partilha e de cuidado fraterno. Na quaresma até fazemos a Campanha da Fraternidade, ou seja, uma campanha para sermos mais irmãos e irmãs. É também tempo propício para oração e escuta da Palavra de Deus. Na Escritura Deus se revela como amor e misericórdia, o que nos faz louvar e agradecer, assim como pedir perdão e suplicar a força para sermos semelhantes a Ele em relação aos irmãos. Atitudes de misericórdia ajudam a superar os ídolos do saber, do poder e do possuir, que alienam e fecham o coração à graça do encontro com Jesus Cristo e à vida plena da comunidade.

Impulsionada pelo evangelho, a Igreja do Brasil, através da CNBB, propõe em cada quaresma uma temática social concreta que revela necessidade de conversão, de transformação, a partir da qual se faz uma Campanha da Fraternidade. Em 2019 o tema escolhido é: “Fraternidade e Políticas públicas”, tendo como frase bíblica inspiradora: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27) e com o objetivo: “Estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade” (cf. Texto-Base da CF, p. 8).

As Políticas Públicas consistem nas ações discutidas, decididas, programadas e executadas em favor de todos os membros da sociedade, especialmente para os mais necessitados. Elas são da responsabilidade, principalmente, do Governo e do Estado. Do Governo, porque ligadas a determinados executores temporários; e do Estado, porque são ações permanentes, como educação, saúde, segurança pública, saneamento básico, ecologia e outros. No entanto, as Políticas Públicas não são responsabilidade somente do Governo e do Estado, mas de todos os envolvidos em determinado problema (instituições e atores): consumidores, empresários, trabalhadores, corporações, centrais sindicais, mídia e outros. Portanto, participar das discussões e execução das políticas públicas é ajudar a construir a fraternidade e a resgatar a dignidade de muitos irmãos e irmãs (cf. Texto-Base, nn. 8, 9, e 21). A verdadeira política é o cuidado para com o que é comum e o esforço de realizar ações que ajudem na integração de todos na sociedade. É tarefa de todo cristão participar na elaboração e concretização de ações que visem melhorar a vida de todas as pessoas. Isso é fazer obras de misericórdia (Texto-Base, n. 12). É neste contexto que entendemos o Papa Francisco quando fala da dimensão social da evangelização, afirmando: “A política é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (EG 205).

As formas mais comuns de participação, própria dos leigos, nas Políticas Públicas, como expressão do direito e da justiça, são: Audiências públicas, Conselhos paritários, Conferências, Fóruns e Reuniões, Movimentos sociais (Texto-Base, nn. 96-100, 162, 169, 179 e 194). Que a CF nos ajude a tornar-nos mais irmãos através das Políticas Públicas.

 

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