Cardeal Sergio da Rocha partilha participação como relator do Sínodo da Juventude

Foto: CNBB/Daniel Flores

O cardeal Sergio da Rocha continua partilhando sobre sua participação na XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada em outubro. Nesta quinta-feira, 22, o arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) falou aos bispos do Conselho Permanente da entidade sobre as três semanas de trabalho ao lado do papa Francisco. Na ocasião, comentou sobre o sepultamento de seu auxiliar dom Francisco de Paula Victor, falecido na quarta-feira.

 

Sínodo
Cardeal Sergio ressaltou a participação dos bispos brasileiros e uso do português como uma das línguas oficiais do Sínodo, o que facilitou na expressão e participação durante momentos específicos da assembleia sinodal, como as “intervenções livres” no plenário. O arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger, recordou que o pedido de oficialização da Língua Portuguesa no Sínodo partiu do XIII Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, realizado em Cabo Verde, no mês de abril.

Com a função de relator-geral da assembleia, dom Sergio explicou que o papel desempenhado foi o de “mediar o processo de elaboração do documento com a comissão de redação”, a qual foi escolhida pela assembleia. Da equipe fizeram parte dois secretários especiais, “que ajudam muitíssimo na redação”. Há também um grupo de peritos, denominado “grupo de expertos”, que tem um papel fundamental, segundo o cardeal da Rocha: “É gente que tem um conhecimento imenso de aspectos específicos da realidade juvenil, como comunicação, psicologia e com conhecimento de Igreja”.

Aos bispos do Conselho Permanente, dom Sergio ressaltou ainda o “viés vocacional do sínodo”, o que foi refletido no texto final, “com várias manifestações sobre a vocação, inclusive com explicitação das vocações específicas”. Durante a assembleia sinodal, estiveram presentes os prefeitos dos dos dicastérios ligados à vocação, como clero, vida consagrada e leigos. O tema desta assembleia foi “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Foto: CNBB/Daniel Flores

Dom Sergio ainda chamou atenção para a participação de 55 bispos auxiliares, pois, geralmente, são eles que trabalham com a juventude.

Assembleia do Sínodo para a juventude contou com a nova dinâmica estabelecida pelo papa Francisco, dividida em três partes. A primeira, é dedicada a ver a realidade. A segunda, corresponde às reflexões sobre questões teológicas e a terceira sobre aspectos pastorais. Em cada parte, há a metodologia de trabalho com um momento de fala, seguido de trabalho em grupos e depois a comissão dedicada àquela parte da reflexão já faz a redação relacionada.

Documento final
Concluída a assembleia, o documento final foi apresentado ao papa, que, por sua vez, autorizou a publicação. O texto está estruturado em três grandes partes, com o ver, julgar e o agir. É estruturado a partir da passagem do Evangelho que narra o episódio dos discípulos de Emaús. O título, segundo dom Sergio, tem uma perspectiva teológica. “Se você ler a primeira, parte, está certo que se reconhece potencialidades da juventude, coisas boas, mas, é lógico que a primeira parte é uma lista enormes de problemas vividos pela juventude e dificuldades que desafiam a sociedade e a Igreja em particular. Mas é nesta parte que tem este título ‘E caminhava com eles’. Quer dizer, reconhecer que Jesus está presente ali”.

Secretário-geral do Sínodo e bispos brasileiros com o papa Francisco

O cardeal também destacou o reconhecimento da importância de valorizar o que a juventude já está oferecendo à Igreja. E ainda chamou atenção que os jovens, em muitas realidades, têm o sentimento que a Igreja os abandonou. “Um ponto interessantíssimo que vários destacaram: a Igreja abandona também quando não fala do Evangelho, quando não anuncia o ensinamento de Jesus, o ensinamento da Igreja sobre questões inclusive de afetividade e sexualidade”, chamou atenção o cardeal.

Ele também citou a ideia de que bispos, padres, religiosos e leigos dentro da estrutura eclesial “tem medo” dos jovens e reclamam da falta de acompanhamento. Um acompanhamento que deve ser pessoal em vista das várias vocações consagradas ou leigas.

Dom Sergio continuou explicando sobre as outras duas partes do documento aprovado e disponibilizado ainda em italiano pela Santa Sé. O segundo trecho, também iniciado com uma frase de Emaús, aborda a experiência do discipulado na comunidade, destacando a família e a comunidade como ambientes para a promoção deste envolvimento juvenil na Igreja.

A última parte do documento, “Partiram sem demora”, traz a juventude assumindo a evangelização, como explicou o cardeal. Neste trecho, se encontra a necessidade de acompanhamento e questões relacionadas à comunicação, principalmente às novas mídias.

Dom Francisco de Paula Victor
O início da fala de dom Sergio da Rocha foi sobre o sepultamento de dom Francisco de Paula Victor, auxiliar de Brasília, falecido na quarta-feira, 22. A missa de corpo presente na Catedral Metropolitana foi realizada na manhã de quinta-feira. O cardeal contou algumas particularidades do ministério daquele que mostrou “que o sacerdócio vai além de um conjunto de atividades que se possa elencar”. Dom Francisco fez de sua vida uma oferta, pois atuou somente dois anos como bispo efetivamente. As consequências de um Acidente Vascular Cerebral o deixaram com várias limitações. “Viveu o ministério dele praticamente na cadeira de rodas. Sem exagero algum, a cadeira de rodas dele foi uma espécie de altar para ele a vida toda”, disse o arcebispo de Brasília.

Dom Sergio também contou que, como irmão Marista, foi missionário na África e reitor de universidade. Um fato interessante de sua trajetória é que foi ordenado bispo apenas cinco anos depois de ser ordenado padre. “Era um homem muito simples e despojado. Um pouco antes de ser bispo, vivia na sacristia da Igreja, no Paranoá, não quis casa paroquial”, recordou dom Sergio, que se admirou com a participação de fiéis e do clero na catedral, pois muitos não o conheciam.

Share This