Carta às comunidades na conclusão do 12zinho

Porto Velho – setembro de 2008

“Filho da floresta, água e madeira vão na luz dos meus olhos,
e explicam este jeito meu de amar as estrelas
e de carregar nos ombros a esperança”
(Thiago de Melo)

Irmãos e irmãs das CEBs,

1. Em nome da Trindade, a melhor comunidade, saudamos vocês com muito carinho. Nos dias 26 a 28 de setembro de 2008 estivemos reunidos em Porto Velho para celebrar o 1º Encontro Arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base, carinhosamente chamado de Dozinho, com o objetivo de fortalecer as CEBs e ao mesmo tempo aprofundar a preparação para o 12º Intereclesial, que ocorrerá aqui nesta porção da Amazônia em 2009.

2. Éramos aproximadamente 1300 participantes representantes de comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas, migrantes, povos indígenas e demais povos da floresta, assessores e convidados das dioceses de Lábrea, Humaitá, Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Guajará-Mirim e Ji-Paraná, refletindo e celebrando à luz do tema “A caridade sustenta a comunidade” e o lema “A Palavra de Deus é viva e eficaz”. Sentimos o carinho das centenas de famílias que nos acolheram e dos irmãos e irmãs das equipes de apoio que nos cuidaram com dedicação, e o apoio de nosso Arcebispo Dom Moacyr Grechi e do Bispo de Cruzeiro do Sul Dom Mosé João Pontelo.

3. Nas celebrações, preparadas pela Rede Celebra e equipes locais, fizemos memória da caminhada de nossas comunidades, que carregam nos ombros a esperança e o sonho de Jesus de Nazaré, nosso irmão e Senhor.

4. Nosso olhar se dirigiu para nossa realidade, onde vemos crescer a fraternidade que gera vida, mas também de onde ecoam os gritos da Amazônia na agressão à natureza, poluição do solo e dos rios, implantação de megaprojetos, tais como a construção de hidroelétricas, na destruição das florestas pelo agronegócio e latifúndio depredador, agressão à cultura dos povos indígenas, no inchaço das cidades, violência urbana e tantos outros males que perturbam a harmonia da criação de Deus.

5. Os gritos da Amazônia se fazem ouvir também na resistência dos povos e comunidades que propõe projetos alternativos em sintonia com a vocação de nossa região.

6. Nos orientamos pela confiança de que a Palavra de Deus nos abre para o novo e para a esperança. O Deus da vida, que “faz novas todas as coisas”, nos ajuda a fazer correr o rio da fraternidade em nossas comunidades, que neste momento vivem o entusiasmo da preparação do 12º Intereclesial.

7. Reforçamos a convicção de que as CEBs são portadoras de esperança, sinais da realização da utopia do Reino, onde toda forma de ameaça à vida deve dar lugar ao “novo céu e a nova terra” (AP 21,1).

8. Sugerimos a realização de encontros entre comunidades para aprofundar a reflexão aqui iniciada, a elaboração de material com linguagem simples sobre as CEBs, maior eficiência na divulgação e comunicação, dinamização dos ministérios leigos e maior descentralização das paróquias, transformando-as sempre mais em “comunidade de comunidades”.

9. Encerramos nosso Encontro com a Romaria da Bíblia e com a celebração eucarística. Voltamos para nossas comunidades acompanhados pela bênção do Deus da vida e da esperança. Confortados pelo testemunho dos mártires da caminhada e dos que confessam a fé com destemor. Com Maria, mãe de Jesus e companheira de nossa caminhada, em busca da Terra Sem Males.

Amém! Axé! Auêre! Aleluia!

Escreva um Comentário

Ver todos os Comentários

Seu endereço de email não será publicado. Também outros dados não serão compartilhados com a terceira pessoa. Campos obrigatórios marcados como * *

Share This