Carta do Mutirão pela Amazônia

A todas as Igrejas Particulares do Brasil

Concede a teus servos anunciar tua mensagem com toda a ousadia” (At 4,29)

“Animar o espírito missionário da Igreja e sensibilizar a sociedade brasileira em relação à Amazônia” foi o objetivo do primeiro encontro nacional do “Mutirão pela Amazônia”, promovido pela Comissão Episcopal da Amazônia, da CNBB, e realizado nos dias 09 a 11 de junho de 2005, em Brasília.

Os mais de duzentos participantes, leigas e leigos, religiosas e religiosos, sacerdotes e bispos, impelidos pela convocação do Deus da História e pelo mundo real amazônico, colocaram-se na disposição de perceber, com mais intensidade, as riquezas e os desafios da região, bem como partilhar as perspectivas para a Missão.

Constatamos que o mundo real amazônico – que ultrapassa as fronteiras do Brasil – é uma oportunidade e um desafio para a missão: a situação dos povos indígenas, dos ribeirinhos, dos migrantes, marginalizados urbanos e rurais,  a realidade do narcotráfico, da biopirataria, o avanço das fronteiras agrícolas, muitas vezes ilegal e impune, a destruição da floresta e da biodiversidade, a poluição das águas e os grandes projetos de “desenvolvimento”, a ausência ou inadequação de políticas públicas, a falta de ética no exercício do poder público  empobrecem os povos, aviltam sua dignidade e ofendem a obra do Criador.

Celebramos com júbilo a luta e a vitória dos povos indígenas pela homologação da reserva Raposa Serra do Sol. Com alegria e esperança reconhecemos nos pobres profunda fé em Cristo, grande força para resistir, muita alegria para partilhar, sincera compaixão para acolher e entender os irmãos e irmãs, grandes sonhos a cultivar e muito amor à vida.

Reconhecidamente a Igreja na Amazônia é viva e jovem, cheia de força e beleza, tem rosto e identidade próprios e aberta ao diálogo. Procura resolver seus problemas e busca soluções para os desafios que atualmente enfrenta.

Essa mesma Igreja, porém, necessita de mais operários e operárias, pois as vastas extensões geográficas, o aumento da pobreza, a deterioração do tecido social e a vida sempre mais ameaçada convocam para uma grande solidariedade evangélica.

A Igreja da Amazônia sempre foi e é Igreja de mutirão, na qual todos e todas se entrelaçam a serviço do Reinado de Deus. E neste encontro, conclamamos a uma renovada cooperação das forças vivas da Igreja do Brasil para integrar-se a este mutirão evangelizador.

Como uma das expressões dessa solidariedade, solicitamos o apoio de todas e todos para que o tema da Campanha da Fraternidade de 2007 seja sobre a Amazônia.

Cremos na força da fé no Cristo ressuscitado e vivo em nossa caminhada eclesial na Amazônia.

Os e as participantes do Mutirão pela Amazônia

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