CF e Produção

Dom Aldo Pagotto

Arcebispo Metropolitano da Paraíba – PB

No período da Quaresma, há 46 anos, a CNBB promove a “Campanha da Fraternidade”. No presente ano a Campanha aponta os efeitos destrutivos do aquecimento global que comprometem a qualidade de vida dos seres humanos. A vida do planeta enfrenta situações deletérias inexoráveis que interferem de forma negativa nos relacionamentos entre as pessoas, povos e nações, atingindo, portanto, tanto a esfera local quanto a universal.

A inspiração da Palavra de Deus oferece intuições fundamentais à campanha em defesa da vida das pessoas e no planeta. A tentativa da CNBB é de colaborar com todos os que se importam com a vida dos seres humanos e com a recuperação de bens naturais comprometidos ou já destruídos. A qualidade de vida que incide nos relacionamentos humanos ocupa a nossa atenção e nossas práticas, contanto que sejam razoavelmente exequíveis.

Na tentativa de reverter os males que continuam a destruir a vida dos seres humanos e a vida no planeta, perguntamos quais seriam as eventuais soluções encontráveis, de caráter científico, tecnológico e financeiro. Quais encaminhamentos práticos seriam viáveis pela defesa da vida? Qual é a colaboração efetiva que incumbe a todos e a cada um de nós, além das tarefas inadiáveis que cabem às instâncias nacionais e internacionais?

Cito um exemplo comportando no direito à segurança nutricional. Há uma crescente demanda mundial pela produção e pelo acesso aos alimentos nutrientes. A equação entre a produção de alimentos e a sustentabilidade produtiva importa na qualificação de mão-de-obra. Tanto é preciso plantar quanto conseguir o acesso aos alimentos. Essa é a missão da agricultura familiar moderna, agregando valores através das redes produtivas e dos sistemas cooperativistas.

Garantir a produção sustentável equilibrando a agricultura familiar e o agronegócio é o caminho da atualidade. Ambos geram desenvolvimento e divisas, garantindo trabalho e renda para milhares de famílias. Ambos, agricultura familiar e agronegócio, exigem infraestrutura certa para a sua sustentabilidade. É preciso investir pesado na capacitação para uma produção de qualidade com assistência técnica e financeira.

Produção sustentável gera inclusão social. Nesse sentido, as obras de transposição da águas do Rio São Francisco atenderão aos Estados da PB, CE, PE, RN – o Nordeste setentrional, gerando segurança hídrica, com uma racional distribuição de água para as nossas bacias hidrográficas. As obras incluem o saneamento básico, de fundamental importância para garantir a vida saudável da população.

Teremos água para uso humano, animal e para a irrigação planejada em vilas rurais produtivas (no início prevêem-se 15 mil hectares). Trata-se de uma obra estrutural, envolvendo a população rural e urbana no uso racional de energia e de água, possibilitando a contraproposta de nichos produtivos, multiplicando mão-de-obra para pequenas e médias indústrias.

Os parâmetros da ecologia defendem e promovem a vida, integram as pessoas e famílias, articulam o homem ao seu meio-ambiente. Não são obstáculos à produção e ao desenvolvimento sustentável. Antes, as razões ambientais constituem-se num poderoso auxiliar para orientar a construção da vida e da história nas suas dimensões sociais, políticas, econômicas, culturais. Chegam melhores oportunidades para qualificar a vida de milhares de nordestinos!

Não se gera emprego e renda para milhares de empobrecidos combatendo quem produz e distribui riqueza. É preciso investir em projetos estruturais, sem exaurir a natureza, desmatar reservas florestais, invadir e depredar plantações e maquinarias.

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