CNBB homenageia colaboradoras das diversas frentes de trabalho na matriz

Ao invés do expediente normal, na manhã deste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, as colaboradoras que atuam nas diferentes frentes de trabalho na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participaram de uma palestra cujo título foi: “Trabalhando o lado mulher”, ministrada pela psicóloga clínica Dalzi Neres, do Instituto Nacional de Saúde Psíquica (Inasp).

O subsecretário adjunto geral da CNBB, padre Antônio Silva da Paixão (Nequinho) lembrou que as mulheres são maioria no trabalho na CNBB e na Igreja no Brasil, reconhecendo a sua força e poder mobilizador. “Se vocês resolverem fazer uma greve, tudo para. Mas só não podem fazer greve antes da 57ª Assembleia Geral dos bispos do Brasil”, disse em tom de brincadeira. Padre Nequinho convidou a todas para rezar a oração da Campanha da Fraternidade 2019 como gesto de valorização aos que se dedicam às políticas públicas e de estímulo aos que ainda pretendem se dedicar.

Aline Moreira, primeira da esquerda para direita, para quem ser mulher é lutar. Foto: Assessoria de Imprensa CNBB/Daniel Flores

As participantes foram convidadas a expressar o significado de ser mulher nos dias atuais. Segundo a Aline Moreira, do departamento de contabilidade da CNBB, ser mulher hoje significa lutar. Ela fez referência às 126 mulheres que foram vítimas do feminicídio (assassinato de mulher, em razão de sua condição de gênero) nos primeiros meses do ano segundo dados da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Também foram registradas 67 tentativas de feminicídio.

Conforme levantamento da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), a cada dez feminicídios cometidos em 23 países da América Latina e Caribe em 2017, quatro ocorreram no Brasil. Naquele ano, ao menos 2.795 mulheres foram assassinadas na região. Desse total, 1.133 foram no Brasil. A jovem aprendiz na CNBB, Laura Silva Costa, que atua no departamento de gestão de pessoas falou sobre a vulnerabilidade e a falta de segurança das mulheres nos grandes centros urbanos.

Machismo e feminicídio – A representante do Inasp disse que os casos de machismo que estão por trás dos altos índices de feminicídio no Brasil existem porque os homens não têm acesso à informação no tempo certo e também em função do fator cultural. “No Brasil, os homens não são educados para trabalhar seus sentimentos e emoções”, disse. Em razão disto, o Brasil figura em 1º lugar em número de pessoas com ansiedade e o 5º em casos de suicídio.

A palestrante falou dos muitos papeis que as mulheres são cobradas a desenvolver (mãe, mulher, trabalhadora, filha, irmã, patroa, dona de casa, etc) e em função desta sobrecarga é necessário buscar um estilo de vida equilibrado. Para manter-se centrada, a psicóloga apontou as seguintes palavras mágicas: amor próprio, resiliência, empoderamento, auto-estima, foco, determinação, empatia, independência financeira, espiritualidade e afetividade. Falou também da necessidade de manter a mente e corpo integrados num equilíbrio.

As colaboradoras da CNBB, à medida que a reflexão foi sendo conduzida, também puderam expressar as suas próprias experiências com as dificuldades diárias em exercer estes diferentes papeis colocados pela sociedade. Ao final da atividade, com flores na mão, a fala da Dália Alves, do Centro de Documento e Informação da CNBB, resumiu bem o sentimento de todas, apesar das dificuldades: “Eu amo ser mulher e se pudesse escolher, ao nascer novamente, eu escolheria nascer mulher”.

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