Comissões da CNBB realizam encontro sobre a evangelização dos povos indígenas

Convite é “sair dos muros, das estruturas que nos defendem, ir ao encontro, acolhendo e integrando as diferenças”

A evangelização no âmbito das comunidades indígenas do Brasil é o tema de um encontro que reúne quatro comissões episcopais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Desde segunda-feira, estão reunidos, em Brasília (DF), indígenas, missionários indigenistas, padres e padres indígenas, bispos e arcebispos do Brasil que contam com a presença de povos indígenas nas prelazias, dioceses e arquidioceses.

O encontro que será encerrado nesta quarta-feira foi organizado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e a Comissão Episcopal para a Amazônia em parceria com as Comissões Episcopais Pastorais para a Animação Bíblico-Catequética e para a Liturgia da CNBB.

O arcebispo emérito de São Paulo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, cardeal Cláudio Hummes, que também preside a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), afirma que encontro objetiva “buscar caminhos para uma evangelização missionária, uma Igreja misericordiosa, pobre, com os pobres e para os pobres”. Para o cardeal o convite é “sair dos muros, das estruturas que nos defendem, para ir ao encontro, acolhendo e integrando as diferenças. No caso, o respeito e acolhida dos povos indígenas e inculturar a fé nas culturas indígenas”. Outro objetivo do encontro é refletir sobre a inculturação da fé nas culturas indígenas, mas também nas culturas afro-americanas e dos povos da floresta.

Desde segunda-feira os participantes contam com painéis com apresentações de experiências de evangelização juntos aos povos indígenas, bem como a realidade social em que vivem as populações indígenas no Brasil. Também acontecem momentos partilhas e vivências de padres indígenas entre os indígenas.

A partir do encontro, os participantes irão discutir quais caminhos deverão ser percorridos e serão definidas ações e passos em vista da evangelização de povos indígenas.

Clero autóctone

Um ponto-chave da evangelização na Amazônia e com os povos indígenas foi apontado pelo papa Francisco em sua visita ao Brasil, em 2013. Para o pontífice, é necessário qualificar formadores, especialmente aqueles na área de teologia, “para consolidar os resultados alcançados no campo da formação de um clero autóctone, inclusive para se ter sacerdotes adaptados às condições locais e consolidar por assim dizer o «rosto amazônico» da Igreja”.

Um exemplo de clero autóctone é o padre salesiano Justino Sarmento Rezende, do povo Tucuyka. Ele é o primeiro padre indígena ordenado na diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM), que atualmente possui outros sacerdotes de origem indígena, tanto salesianos, como diocesanos e capuchinhos.

“A vocação ao sacerdócio para nós indígenas sempre foi um desafio, porque nós estávamos acostumados a receber os missionários, e depois de muitos anos nós começamos a sentir o chamado de Deus e acreditar que também nós podíamos nos tornar padres”, conta o padre Justino.

O presbítero, ordenado há 23 anos, ressalta a contribuição que os indígenas podem dar à Igreja. “Nós temos muitas riquezas dos nossos povos, tradições, costumes, sabedorias, então, tudo isso pode ser enriquecedor”, considera. Padre Justino lembra que a Igreja chegou às comunidades indígenas através de missionários de várias nacionalidades, os quais contribuíram também para o enriquecimento de suas culturas. “Por isso que a Igreja sonha que todas as culturas, todas as dioceses tenham seu clero, para nós é uma realidade, porque nós indígenas, em nossos encontros, formações nos preocupamos como nós vamos assumir estes desafios de contribuir com a nossa Igreja católica, com as sabedorias dos antepassados”, explica.

Catequese

O indígena Leonardo Ferraz Penteado, da tribo Tukano, é professor e educador nas comunidades de São Gabriel da Cachoeira. Ele conta que é feito um trabalho com os 13 povos indígenas da região. A catequese é abordada na realidade daqueles povos, com suas culturas e línguas. Ele lembra a contribuição do bispo diocesano: “Dom Edson Damian tem incentivado muito para que possamos assim desenvolver melhor e caminhar melhor para a vida cristã”.

Leonardo também fala dos desafios enfrentados na atualidade, como o alcoolismo e as drogas. “Mas com o estudo e análises com o povo e as lideranças, sempre vem ajudando com incentivos, através de nossos missionários e da diocese, e nós sempre estamos orientando a nossa nova geração indígena para o futuro”, pondera confiante.

 

Colaboração e fotos de Osnilda Lima, fsp

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