Conferências Vicentinas: Responsável destaca necessidade de responder a “novas pobrezas”

Renato Lima Oliveira, presidente internacional da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) desde 2016, disse à Agência ECCLESIA que a instituição tem de oferecer respostas materiais e espirituais, respondendo a “novas pobrezas” denunciadas pelo Papa Francisco.

Renato Lima Oliveira. Agência Ecclesia/MC

Em entrevista, o responsável sublinha que o vicentino do século XXI “já não é só aquele que entrega cestas básicas de alimentos”, podendo deixar “uma palavra amiga” ou combater a solidão de quem vive sozinho, como acontece já na França.

A cidade do Porto acolheu de 13 a 15 de junho a assembleia plenária do Conselho Geral Internacional da SSVP, um encontro anual que reúne representantes cerca de 80 países.

O presidente internacional das Conferências Vicentinas diz que estas são “o braço direito da Igreja Católica” para a caridade e evangelização, “junto das pessoas mais carenciadas”, com bens materiais e com a Palavra de Deus.

“Procuramos trazer de volta pessoas que já não recebiam os Sacramentos, procurando reinseri-los na Igreja”, refere.

Renato Lima Oliveira evoca a dinâmica gerada em 1833, quando os sete fundadores da SSVP criaram um conselho geral internacional, cujo papel é “manter a entidade unida”, seguindo princípios e valores que orientam a missão de 800 mil católicos no mundo.

“Pode mudar a língua, os hábitos, a cultura, o país e os governos podem ser diferentes, mas o vicentino é igual em todo o mundo”, indica o presidente internacional, segundo o qual os projetos são adaptados a cada realidade, procurando unir esforços e donativos “em favor dos mais necessitados”.

“A caridade não tem fronteiras”, assinala o responsável brasileiro, num trabalho que não é de “autopromoção” e que acontece em contextos difíceis, como a Índia ou o Sri Lanka

Renato Lima Oliveira integra a SSVP desde 1986, quando tinha 15 anos de idade e graceja mesmo que, no Brasil, é conhecido como “Renato Vicentino”.

“Ser vicentino é um presente de Deus”, assume.

O Brasil é apresentado como “uma potência vicentina”, onde o trabalho principal continua a ser a distribuição da “alimentação básica”, já com atenção a “outras pobrezas” e dramas humanos.

A nível global, as prioridades são a aposta na juventude e na formação, além da expansão para as nações onde não existe ainda presença.

Portugal é visto, neste contexto, como “um exemplo para a Europa” e para os países lusófonos de África.

Outro objetivo é o reforço da presença no ambiente acadêmico, “voltando às origens”, ao século XIX, quando Frederico Ozanam, com um grupo de companheiros de universidade, funda a Conferência da Caridade, mais tarde chamada Conferência de São Vicente de Paulo.

Frederico Ozanam foi beatificado pelo Papa São João Paulo II, em 1997 e hoje espera-se que possa ser canonizado em breve, após a necessária aprovação de um novo milagre.

“Estamos a trabalhar muito para que o nosso principal fundador possa ser declarado santo”, assinala Renato Lima Oliveira.

Cerca de 800 mil vicentinos e vicentinas estão hoje presentes em 150 países, dos cinco continentes; em Portugal há 800 conferências, que todos os dias acolhem pessoas necessitadas e anunciam a mensagem cristã.

Nos dois últimos dias da plenária, no Porto, acontece a reunião da secção permanente, uma espécie de conselho de administração da SSVP, e do Comité Executivo Internacional, constituído países com mais de 1000 de conferências ativas e agregadas, além de cinco nações escolhidas pelo presidente geral.

A primeira Conferência Vicentina em Portugal foi criada em Lisboa, em 1859, sendo depois fundado o Conselho Nacional, que resultou da fusão dos Conselhos Superiores Masculino e Feminino Portugueses, em 1976.

(Texto e fotos: agência ECCLESIA)
(Foto de capa: Beatriz Nery/A12)
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