Conversa com a virgem de Nazaré, mãe do belo amor

DOM ALBERTO TAVEIRA CORRÊA
Arcebispo de Belém do Pará

“Eu confio em Nosso Senhor, com fé, esperança e amor”! Diante de ti, Maria de Nazaré, jovem, Virgem e Mãe (Cf. Eclo 24,24), queremos renovar os compromissos de nosso Batismo, acolhendo de novo os presentes das virtudes da fé, esperança e caridade que nos fazem viver em comunhão com o Pai, em nome do Filho bendito, na força do Espírito Santo! Tu és feliz pela tua fé, és a Mãe da Esperança e a Mãe do Belo Amor.

“Nós, que cremos, reconhecemos o amor que Deus tem para conosco. Deus é amor. E ele amou primeiro. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele (1 Jo 4,16). Envolvida no eterno oceano do amor de Deus, tu acolheste este amor, escolhendo-o como caminho para tua vida. Viveste para Deus, o Pai que te chamou. Viveste para o Filho de Deus que se encarnou em teu ventre, amor eterno humanado. Tu te deixaste cobrir pela sombra do Espírito Santo de Deus (Lc 1,35). Nós te pedimos, faze-nos participantes da voragem de amor em que te envolveste pela graça de Deus e da resposta corajosa que deste em nosso nome, ó Virgem, Jovem chamada Maria!

Nós te chamamos Maria de Nazaré, Jovem Mãe, para entrar no segredo do lar em que viveste com Jesus e com José, porque queremos aprender contigo a viver, ó Mãe do Belo Amor. Abre para nós as portas de tua casa e de teu coração, para que a luz do amor de Deus, que nunca se apaga em teu coração (Pr 31,18) ajude a incendiar o mundo inteiro. Ó mulher revestida do sol (Cf. Ap 12,1), em ti “o amor é forte como a morte. Suas chamas são chamas de fogo, labaredas divinas” (Ct 8,6), luz delicada e forte, vinda do alto. O esplendor da luz vinda do alto, misteriosa e verdadeira, na sombra do Espírito, é mais clara do que todos os dias. Do alto, a luz envolve o Anjo e a Aliança nova e eterna, a ser realizada no fruto de teu ventre. Com o Anjo te dizemos “Ave Maria, cheia de graça”!

Do alto “do Glória” ou nas longas caminhadas de tua “Imagem Peregrina”, venha sobre todos nós a chama do amor. As multidões que a ti acorrem no Círio de Nazaré encontrem justamente no afeto da Casa de Nazaré a resposta a todos os anseios e os justos desejos de uma humanidade ferida e cansada. Mostra-nos, Jovem Senhora de Nazaré, Mãe do Belo Amor, o rosto de amor de teu Filho Bendito, nosso Senhor e Salvador!

Um dia recebeste a visita do Anjo Gabriel. Que bom saber e aprender de ti que não existe impedimento para dizer sim a Deus. Tu tomaste a iniciativa da resposta de amor ao amor de Deus, amando a Deus e à humanidade com a tua resposta. Nós te agradecemos porque de tua alma jovem brotou a revolução do amor. Deus contou contigo e conta conosco, em todas as nossas situações e idades, para que o mundo encontre Jesus Salvador! Os tempos se completaram quando Deus enviou seu Filho, nascido de ti, para resgatar a humanidade, e todos recebermos a dignidade de filhos. E nós somos os filhos de Deus. Contigo e também por tua causa podemos chamar a Deus de Pai! Não somos órfãos! (Cf. Gl 4,4-7)

Tu és a Mãe do Belo Amor na presteza com que foste servir à tua prima Isabel. Dando teu sim de amor a Deus, foste às montanhas de Judá, para praticar o bem, servir, colocar-se à disposição. Não houve limites de cansaço, distância ou indisposição. O encontro das duas mulheres grávidas é a festa do amor que se torna recíproco, justamente o amor que teu Filho ofereceu como o seu novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,34). O amor que desceu do Céu, da vida da Trindade, subiu as montanhas de Judá!

Mãe do Belo Amor, Senhora de Nazaré, tu nos ensinaste a amar no silêncio e escondimento da Casa de Nazaré (Lc 2,52). O amor é provado na fidelidade às coisas simples do cotidiano, e tu viveste bem a tarefa de Mãe de Família. Bendita a tua casa, ornada de beleza, simplicidade e harmonia. Contigo e com Jesus e José, queremos preencher de amor nossa vida e nosso trabalho, seja ele do lar ou das muitas profissões de nosso tempo. Pede ao Senhor para nós a alegria do dia a dia bem vivido, amando a Deus e ao próximo.

Certamente, Mãe do Belo Amor, marcaste teu relacionamento com os vizinhos em Nazaré com muitos gestos de amor, amando a todos, fazendo-te uma coisa só com todos, no amor, alegrando-te com quem se alegrava, chorando ou sofrendo com os outros. Um dia foste a uma festa de casamento, em Caná. Não viveste um amor de sentimentos superficiais, mas de participação e solidariedade. Tua presença fez acontecer a hora de Jesus. Ali, tu te mostraste discípula de teu Filho. Nós te agradecemos pela receita do milagre, que nos deixaste como testamento precioso de amor: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5).

Mãe do Belo Amor, Jovem Virgem e Mãe, Senhora de Nazaré, de Belém e da Apresentação. Um segundo anúncio te foi feito pela boca de um ancião, Simeão (Lc 2,34-35), com o anúncio da espada. É que o amor verdadeiro só se prova de modo completo com a dor. Por amor acolheste esta palavra! Para salvar o que é de Deus, fugiste com José e o Menino Deus para o Egito (Mt 2,13-23). Mais tarde, em Jerusalém, quando Jesus tinha doze anos, aprendeste a perder e buscar! No fim de tudo, que era o verdadeiro começo, estavas de pé, aos pés da Cruz, companheira do Redentor, Mártir no coração (Jo 19,25-27). Diante de ti, ele perdoou, entregou-se até o fim, destruindo o muro da inimizade. Amadurecida como ninguém, tu és a Mãe do Belo Amor, do Amor Eterno de Jesus teu Filho e da humanidade, que te levou para casa a partir daquele dia. De fato, quem quiser aprender a amar, pode contemplar-te e andar contigo!

Após a Ressurreição, tu foste a Mãe do Belo Amor, coração da Igreja nascente, Virgem Orante na expectativa do sopro do Espírito, que inaugurou a Igreja e a lançou em missão. Deixa-nos contemplar em ti a realização do hino da caridade: “O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. O amor jamais acabará”.  (1 Cor 13, 1-7).

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