Converter-se ao Deus que escuta o clamor de seu Povo

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

No terceiro domingo da Quaresma, a liturgia da Palavra nos apresenta a experiência da sarça ardente em que Moisés se encontra com o Deus libertador que caminha com seu povo e ouve o grito dos oprimidos. Nesta feita, Deus o incumbe da missão de empreender o êxodo tirando o povo hebreu da escravidão do Egito.

No Evangelho, diante do comentário de fatos catastróficos e chacinas contra o seu povo, Jesus convida à conversão como uma opção pela vida, exemplificando seu ensinamento com a parábola do vinhateiro e a figueira estéril. A conversão, para o cristão, é uma vivência radical e transformadora, que deve abranger e tocar toda a existência. Muitas vezes, pensamos que converter-se é, simplesmente, não matar, não roubar e ir à missa aos domingos, ou até dar alguma coisa aos pobres.

A verdadeira conversão, não é colocar vinho novo em odres velhos, ou colocar remendos em roupa nova, ou fazer jejum de chocolate ou refrigerante, é muito mais, porque significa seguir a Cristo, pensar, sentir e agir como Ele. Não existe santidade, nova criação, sem conversão, o processo de mudar o coração, embora empenhe toda a duração da nossa caminhada, leva a assumir um novo rumo, uma nova raiz e um novo estilo de viver e de ser.

A conversão, não pode limitar-se ao âmbito interno, ou intimista, mas animar a vida familiar, social e ambiental. Como existe um efeito borboleta no universo, que revela a interação e a interdependência de uma simples batida de asas, a conversão de uma pessoa, como afirma Elizabethe da Trindade, eleva toda a humanidade.

Pensemos em Dom Hélder Câmara, Dorothy Day, Dom Oscar Romero, Gianna Beretta Molla, como seu testemunho luminoso e compassivo impactou na realidade mudando corações e estruturas desumanas. Libertados pela justiça e o direito, ajudemos a conversão social das estruturas injustas e desiguais com políticas públicas fraternas e equitativas. Deus seja louvado!

Share This