CPT divulga dados sobre os conflitos no campo em 2008

Na próxima terça-feira, 28, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgará os dados dos conflitos e da violência no campo brasileiro, relativos ao ano de 2008. O lançamento será na Vila Kotska, em Itaici, Indaiatuba (SP), onde acontece a 47ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a partir das 15h30, imediatamente após a Coletiva de Imprensa da Assembléia dos Bispos. Estarão presentes ao lançamento a nova presidência da CPT e pessoas da nova coordenação nacional, eleita no último dia 18, o Conselheiro Permanente, dom Tomás Balduino, além do professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carlos Walter Porto Gonçalves.

No ato do lançamento serão apresentados, ainda, números de ameaçados de morte, de tentativas de assassinato, de expulsões, despejos judiciais, ocupações, trabalho escravo, dentre outros.

“Numa visão geral o número de conflitos no campo teve uma queda acentuada, mantendo-se igual, porém, o número de pessoas assassinadas, 28”, afirma a assessoria de comunicação da CPT. “Esse dado sinaliza para o aumento da violência, pois, em 2007, computava-se uma morte para cada 54 conflitos, já em 2008, há uma morte para cada 42 conflitos. Os dados mostram ainda que 72% dos assassinatos em conflitos no campo aconteceram na Amazônia e que mais da metade dos conflitos atingem diretamente as populações tradicionais, deixando claro o interesse do capital sobre os territórios ocupados pelas mesmas”, completa.

Segundo a CPT, 2008 foi marcado por uma nova onda de criminalização dos movimentos sociais do campo e de suas lideranças. “Essa investida se deu nas diferentes esferas do poder público. Em alguns estados, houve repressão violenta por parte da polícia. No legislativo, tanto no âmbito dos estados, quanto no âmbito federal proliferaram ataques aos movimentos. Mas, sobretudo, foi na esfera do poder Judiciário que se sentiu de forma mais dura esta tentativa de criminalização”.
De acordo CPT, o destaque para este ataque sistemático aos movimentos está no Rio Grande do Sul, “onde além da truculência da polícia e das medidas judiciais, entra em cena o Ministério Público Estadual (MPE), cujo Conselho Superior chegou a propor nada mais, nada menos do que a extinção do MST”.

“Por uma síndrome medrosa e preconceituosa, todo o povo pobre ativo – como são os sem-terra que defendem seus direitos – é visto como perigoso e tendente a praticar crimes. A mídia, com raras exceções, se encarrega de alimentar esse preconceito, ao ponto de invadir cabeça e coração de administradores públicos, juízes e formadores de opinião”, afirma o jurista Jacques Távora Alfonsin, ao analisar as ações do MPE. “É de se questionar como muito estranha, portanto, a ‘escolha’ que os promotores gaúchos fizeram no sentido de perseguir, exatamente, essa gente. Em nome do que entenderam fosse o ‘respeito à lei’, esqueceram os riscos que corre a nossa soberania, a cidadania e a dignidade humana”, destacou.

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