“Cristo aponta para a Amazônia”

O presidente da Comissão Episcopal da Amazônia, Dom Jayme Henrique Chemello, Bispo em Pelotas (RS), concedeu, no dia 15 de julho, entrevista à Assessoria de Imprensa da CNBB (AI), falando sobre o Projeto de Evangelização da Amazônia. Faz um apelo a que todos participem.

AI – Dom Jayme, como tem sido esta caminhada de dois anos da Comissão Episcopal para a Amazônia?

Dom Jayme – A Amazônia em primeiro lugar tem 60% do Brasil. Além do povo, os chamados amazônidas, que são mais ou menos, uma população de 20 milhões, o território é imenso. Tem riquezas incríveis, como a água doce, a imensa floresta tropical, ouro, petróleo, gás. O povo é muito sofrido. Não tem acesso às riquezas. O trabalho da Comissão Episcopal da Amazônia não é só um trabalho missionário religioso. Nós queremos que a Amazônia seja brasileira, porque também tem aqueles que olham com outros interesses. Isto não quer dizer que a Amazônia seja só para os brasileiros, porque a Amazônia é tão grande que pode ser muito importante para toda humanidade! Nós defendemos uma Amazônia aberta, porém brasileira. Não achamos justo que outros Países a invadam e a queiram para si, com egoísmo.

AI – Dom Jayme, com certeza para concretizar este Projeto de Evangelização da Amazônia, é necessário que se façam parcerias. O que a Comissão Episcopal está encaminhando em vista destas parcerias?

Dom Jayme – Inicialmente, estamos precisando de todas as Dioceses do Brasil. Há um projeto muito antigo das Igrejas-irmãs, que foi, pouco a pouco, estendido a outras partes do Brasil. E as Igrejas-irmãs, se concretizam com o trabalho de uma Diocese, que se torna irmã de outra Igreja particular ou Diocese, na Amazônia. Para seminários, padres, e leigos que queiram trabalhar na Amazônia. Este é um trabalho para todos. É o primeiro grande projeto. Um outro é o das Universidades Católicas. Algumas Congregações, como por exemplo, Salesianos, Maristas e Lassalistas já começaram a esboçar um interesse pela Amazônia, com alguns cursos como pedagogia e filosofia. Mas, a região é imensa, tão grande, que não basta um curso em Manaus, por exemplo. Temos que pensar também no Pará, no Noroeste, em Porto Velho. Precisamos, pelo menos ter, em três locais, ensino superior de Igreja. A Igreja tem interesse em ter boas faculdades com princípios cristãos. Os Bispos da Região pediram que nós pensássemos isso, em cursos superiores. Depois dos cursos, criar uma Universidade, com a aprovação do Governo .

Além desses dois projetos, Igrejas-irmãs e Universidades, queremos também um trabalho com a CRB, a Conferência dos Religiosos do Brasil. O Papa Paulo VI, dizia: “Cristo aponta para a Amazônia”.

Outro investimento é na formação de padres, porque em muitas regiões da Amazônia, os católicos têm uma missa apenas por ano. Como uma missa por ano? Isto me preocupa demais. Em toda a Amazônia há quatro Seminários maiores: o de Belém; em Manaus, Porto Velho e Cruzeiro do Sul. São quatro grandes seminários, mas são poucos para Amazônia, muito pouco. Além dos padres, pensamos em agentes leigos que possam ensinar catequese, cursos de formação.

Pensamos num outro programa que é “A marcha pela Amazônia”. Um programa para conscientizar o Brasil da importância da Amazônia. Não uma marcha para lá, mas que em cada cidade, Diocese se possa fazer uma marcha, sobre o valor da Amazônia. Sonhamos também com a Campanha da Fraternidade para a Amazônia. São vários projetos. Entre eles, um Congresso em Manaus, da Pan-Amazônica, não só do Brasil, mais dos oito países da América da Região.

AI – Dom Jayme, e a comunicação também não é um recurso válido para concretizar este projeto?

Dom Jayme – Não só é válido, é muito válido, porque evidentemente as distâncias é o que mais nos preocupa na Amazônia. Os Bispos daquela Região têm dificuldades de comunicação. Graças a Deus Belém (PA) está organizando a rede Nazaré, que permitirá não só transmitir para Belém, mas também para e de outros locais. Eu tenho a esperança muito grande nessa Rede de Rádio e TV, até no sentido de oferecer cursos à distância. Para esses cursos, nós estivemos em reunião, em Brasília, com a Reitora da Universidade Católica. Há perspectivas de espaços para esta questão.

AI – Dom Jayme, como é a Comissão Episcopal para a Amazônia?

Dom Jayme – Nós somos uma Comissão de oito Bispos : quatro que atuam na Amazônia, e outros que representam as grandes regiões do Brasil, NORDESTE, SUDESTE, CENTRO-OESTE, SUL. A Comissão tem também uma secretaria executiva na sede da própria CNBB, e há uma irmã que sempre está presente para manter os vínculos entre a Amazônia e nós que não estamos lá. O objetivo número um é voltar o Brasil para a Amazônia e voltando não só no sentido geográfico, mas no sentido espiritual, de fé, de cristianismo, no sentido missionário.

AI – Finalizando a nossa conversa, Dom Jayme, uma palavrinha para as pessoas comuns que se despertaram para a Amazônia, o que elas podem fazer para colaborar com este Projeto?

Dom Jayme – Penso em Santa Teresinha, uma Carmelita que a Igreja escolheu para ser patrona dos missionários. É muito importante a oração. Rezem muito para que se encontrem os caminhos de Deus para a Amazônia. E, se alguém quiser trabalhar pela Amazônia, pode dirigir-se à secretaria executiva em Brasília, à Irmã Cecília Tada – tel.: (61) 2103-8349, e-mail: amazônia@cnbb.org.br.

Compõem a Comissão Episcopal para a Amazônia: Dom Jayme Henique Chemello (presidente), bispo de Pelotas (RS); Dom Luiz Soares Vieira, arcebispo de Manaus (AM); Dom Frei Moacyr Grechi, arcebispo de Porto Velho (RO); Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, arcebispo de Pouso Alegre (MG); Dom Antonio Ribeiro de Oliveira, arcebispo emérito de Goiânia (GO); Dom Erwin Krautler, bispo de Xingu (PA ); Dom Nei Paulo Moretto, bispo de Caxias do Sul (RS); Dom Sérgio Eduardo Castriani, bispo de Tefé (AM); e Dom Frei Francisco Javier Hernandes Arnedo, bispo de Tianguá (CE).

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