Descanso: a arte divina do bem viver

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

“E, no sétimo dia, Deus concluiu a obra que fez; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fez”; (Gên. 2,2). Deus Pai e Criador quis ensinar aos seus filhos a, após o trabalho, acolher o Dom reparador do descanso. É sempre necessário afirmar esta verdade, pois, na nossa vida atual, o estresse tomou conta, também, do descanso. Não sabemos mais descansar, perdemos a noção e a proporção da arte de parar, repousar e reparar as energias.

A atividade febril, a cirandinha das ocupações e das preocupações nos envolveu tanto que se tornou urgente desacelerar e curar nosso modo de vida. É preciso não apenas interromper o trabalho, mas gerar a cultura slaw do viver mais devagar, mudando o foco e o ritmo da nossa vida. Voltar a olhar as coisas e a própria Criação com serenidade e encantamento deixando-se surpreender.

Ser capaz de preparar e degustar os alimentos distinguindo os cheiros e sabores. Abraçar e estar mais em contato com os irmãos animais e fazer jardinagem ou, pelo menos, deitar-se na grama. Rever os amigos e jogar conversa fora, partilhar piadas e rir, rir muito, recuperando o sentido do humor que nos torna humanos.

Recriançar a vida, brincando conosco ou com outros celebrando a dimensão lúdica da existência. Passear, caminhar na praia ou em parque, ou lugares nunca vistos da cidade, vivenciando a noção do espaço e das moradias.

 Mas, o que não pode faltar é tempo para Deus, porque Ele é o verdadeiro descanso, conectar-se e meditar, encontrá-lo na Criação, amar o silêncio e descobrir a riqueza do mundo interior onde, no íntimo mais profundo de nós, está a esperar-nos. Deus seja louvado!

 

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