Dia dos Avós

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

 

No dia 26 julho, a Igreja recordou São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria. Também no Brasil e em Portugal se festeja, nesta data, o Dia dos Avós. Olhar para eles desperta sentimentos de respeito, gratidão e de grande estima. O nosso tempo é marcado por mudanças profundas e rápidas na tecnologia, no modo de organizar a vida, nos critérios de compreensão, nos valores herdados das gerações anteriores, criando uma cultura do descartável.

Um olhar superficial e parcial pode estabelecer conflitos entre os avós e o nosso tempo. É verdade que parte dos avós são idosos, doentes; outros não dominam as novas tecnologias; outros questionam, por palavras ou pelo estilo de vida, o modo frenético do viver contemporâneo. Esta diferença dos avós em relação aos netos e bisnetos não se constitui um problema, mas uma oportunidade de mútuo crescimento.

Os avós são uma presença importante por carregarem o tesouro da experiência de vida. São longos anos que proporcionaram as mais variadas vivências e a administração das mais diferentes situações. Tudo isso não traz receitas prontas para o presente, mas possibilitou maturidade, sabedoria para quem as viveu. “Os idosos ajudam a perceber a continuidade das gerações, com o carisma de lançar uma ponte entre elas. Muitas vezes são os avós que asseguram a transmissão dos grandes valores aos seus netos, e muitas pessoas podem constatar que devem precisamente aos avós a sua iniciação à vida cristã”, ensina o Papa Francisco (Amoris Laetitia, 192).

Muitos avós, nisto incluímos também tantos que são idosos, que não são avós, empregam generosamente seu tempo e talentos para o serviço voluntário. Tantas comunidades são lideradas e cuidadas por pessoas idosas. Outras dedicam seu tempo ao serviço da caridade. Nem podemos esquecer o que acontece no âmbito familiar. Inúmeros avós cuidam dos netos, “transmitindo com simplicidade aos mais pequeninos a experiência de vida, os valores espirituais e culturais de uma comunidade e de um povo”, disse o Papa Francisco.

A presença dos avós junto aos netos educa para o cuidado com a vida e para mudanças que o corpo humano vai sofrendo com o passar dos anos. Este sinal é mais forte, quanto mais debilitados física ou psiquicamente forem os avós ou se algum deles já faleceu. Em nosso tempo, temos uma mistificação da força física e da aparência como sinônimo de qualidade de vida. São valores importantes, mas relativos. O declínio físico não se aplica as outras situações existenciais, pois os valores imateriais, como o valor da vida, do cultivo de grandes ideais, do crescimento cultural e espiritual, não conhecem limites de idade.

O tempo presente que vive o encantamento pelo passageiro. A presença dos avós é uma recordação viva que o nosso tempo não é fruto do acaso e nem pode ser vivido pelo gosto da simples novidade. A nossa cultura ocidental necessita dar muitos passos para deixar-se enriquecer com a sabedoria dos avós e dos idosos. “As suas palavras, as suas carícias ou a simples presença ajudam as crianças a conhecer que a história não começa com elas, que são herdeiras de um longo caminho e que é necessário respeitar o fundamento que as precede. Quem quebra os laços com a história terá dificuldade em tecer relações estáveis e reconhecer que não é o dono da realidade” (AL nº 192).

 

 

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