Dia Mundial dos(das) Imigrantes: “Ningun ser humano es ilegal; ciudadania universal”

Dia do ImigranteEsta palavra de ordem ocorreu na “marcha dos imigrantes”, em São Paulo, na mobilização do Dia Mundial do Imigrante, dia 14 de dezembro/08,

tarde de domingo, com centenas de imigrantes dos mais diversos países e diferentes continentes. A marcha saiu da Rua Barão de Itapetininga, Praça da República e chegou até a Praça da Sé. Surpreendeu a presença dos imigrantes jovens: mais da metade dos participantes. Pelo centro da cidade gritavam: “Inmigrantes, que queremos? Amnistia!”; “Nativa o estranjera – la misma clase obrera”; “Viva el dia del inmigrante”; “Gritamos todo el dia: queremos amnistia”;  “Aqui não hay esclavos: hay trabajadores”.

Muitos cartazes, faixas, bandeiras, no multicolorido dos diferentes povos. Desta vez, além dos imigrantes ameríndios e latinos, estiveram imigrantes africanos, asiáticos, imigrantes do Leste Europeu, e América Central. Importante foi a presença de centrais sindicais, para as quais, o trabalhador imigrante não significa ameaça ao trabalhador nacional, como alguns ainda pensam. Hoje, a palavra de ordem é solidariedade, integração dos povos, cidadania universal.

A marcha adotou o lema do III Fórum Social Mundial ocorrido na Espanha em setembro de 2008 : “Nossas vozes, nossos direitos, por um mundo sem muros…”

Durante o trajeto, foram lidos trechos do manifesto, com denúncias à globalização neoliberal, que favorece a concentração de riquezas e criminaliza e impõe restrições à livre circulação das pessoas; à diretiva européia, de criminalização e retorno dos imigrantes.  O manifesto exigiu, também, anistia ampla, nova Lei dos Estrangeiros, ratificação, pelo Estado Brasileiro, da Convenção da ONU sobre trabalhadores imigrantes e seus familiares, direito a votar e ser votado e uma lei de imigração solidária para o continente.

Na chegada à Praça da Sé, a multidão rasgou uma imensa faixa com um desenho de um grande muro, significando a luta dos imigrantes para romper muros que separam e dividem. No carro de som, Marcos, boliviano há muitos anos no Brasil e da Pastoral dos Latinos, fez as boas-vindas ao povo em marcha. Paulo Illes, do Cami/SPM, da equipe de organização do evento, lembrou que não basta a anistia: é preciso criar uma política migratória pró-imigrantes; o Dep. Carlos Zaratini, do PT, que tem um projeto de anistia para imigrantes,  alertou para o fato de que o preço da crise atual está sendo jogado nas costas dos trabalhadores. Luiz Bassegio, do Grito Continental e SPM, lembrou que o dinheiro do social está sendo usado para empresas e bancos e que os imigrantes não podem ser vistos como culpados pela crise mas solução, para um mundo mais solidário. A representante da CUT lembrou os baixos preços que grandes lojas pagam aos costureiros por peça de roupa.  O representante da ANEIB insistiu na luta pela anistia e direitos dos imigrantes; Pe. Mário falou da necessidade de mobilização dos imigrantes e uma nova Lei dos Estrangeiros no Brasil; a peruana Berenice defendeu o direito de votar e ser votado; um africano afirmou: “É triste ver que os africanos no Brasil ficaram para trás na regularização dos documentos”; Marcos, boliviano, da associação Bolbra, afirmou “sem documentos é como se não existíssemos”; uma mulher russa falou seu drama de pessoa sem documentos, passando de albergue em albergue, afirmando: “não vou fazer um filho só para conseguir minha documentação”; Bernardino, paraguaio, conclamou: “não tenham medo: não somos criminosos nem ilegais – nossa luta é justa”. Um iraniano já documentado se solidarizou com os indocumentados do Brasil; Daniel imigrante boliviano gritou: “Submetidos à desigualdade tivemos que sair de nossos países. Nosso trabalho é honrado; fazemos parte desta cidade”. Um imigrante chileno afirmou: “cada pessoa necessita um trato digno”. O representante da Anfate, ligada à UGT, leu a carta da entidade, lembrando que “os imigrantes não devem ser tratados como mercadoria – devem ter seus direitos trabalhistas garantidos”. Outro boliviano lançou duas palavras de ordem: “Viva a América Latina unida” e “Abaixo às fronteiras!”. Um coral, do Cibernarium, com várias pessoas imigrantes apresentou um canto popular. As falas dos imigrantes encerram o evento que, desta vez, contou com a participação de inúmeras associações. Se alguma entidade não foi citada aqui, certamente será citada num relato mais completo, pois todos e todas participamos deste mutirão, nas reuniões de preparação, distribuindo cartazes e mobilizando caravanas. Parabéns a todos e todas imigrantes!

A carta manifesto foi assinada pelas seguintes entidades: Centro de Apoio aos Imigrantes/SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes, Grito dos Excluídos/as Continental, CUT – Central Única dos Trabalhadores, Associações de Imigrantes Bolivianos de São Paulo, COM – Centro Pastoral dos Migrantes, PAL – Presença da América Latina, Associação Nacional de Imigrantes Paraguaios, Associação de Imigrantes Peruanos de São Paulo, MMM – Marcha Mundial das Mulheres, Projeto Chilena tu Eres Parte, no te Quedas a Parte, Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, Associación Chilena Salvador Allende, Associação Humanista do Brasil, Força Sindical, CTB – Central dos Trabalhadores/as do Brasil, CSA – Central Sindical das Américas.

SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes

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