Documento Igreja e Questão agrária contribui para reflexões em seminário

Encerrado na quinta-feira, dia 11, o seminário “Questão Agrária e Desigualdades” teve a contribuição das propostas do Documento 101 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “A Igreja e a questão agrária brasileira no início do Século XXI”. O evento foi uma ocasião em que representantes dos poderes Executivo e Legislativo federal, das universidades, de movimentos sociais e entidades que atuam na mobilização pela reforma agrária aprofundaram interpretações, debateram propostas para enfrentar os desafios econômicos e sociais do campo.

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, participou do Seminário e lembrou a importância da questão agrária “como fator para superação das desigualdades sociais”. Dom Leonardo ainda citou a fala do papa Francisco aos movimentos populares, em outubro, quando o pontífice recorreu à Doutrina Social da Igreja e afirmou que “a reforma agrária torna-se por conseguinte, além de uma necessidade política, uma obrigação moral”.

Para o bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, dom Guilherme Werlang, é importante que a Igreja paute o tema da questão agrária e contribua para que a sociedade também reflita e “insista na superação das grandes desigualdades” ligadas ao tema.

O seminário foi dividido em cinco painéis, no quais foram expostos posicionamentos e aprofundamentos sobre “Movimento social por terra, trabalho e teto”, “Estado e as políticas agrárias recentes”, “Clamores sociais e questões territoriais”, “Questão agrária e desigualdades” e “Os desafios e propostas para o enfrentamento da problemática agrária”. 

O Documento 101 da CNBB foi abordado no primeiro painel do evento com uma comparação da percepção do posicionamento eclesial por parte do atual governo brasileiro. O texto que analisa a realidade agrária brasileira nas condições históricas atuais, por meio de uma perspectiva baseada em princípios éticos, motivada pela opção preferencial pelos pobres e orientada pela defesa a destinação universal dos bens da natureza, de acordo com a Doutrina Social da Igreja, foi retomado no terceiro painel como referência para o debate.

Ao final do encontro, uma equipe apresentou as ações demandadas para as políticas agrárias do Brasil. Os participantes indicaram desafios como a concentração de terra ligada à concentração do poder econômico e político; a exploração predatória dos territórios que tem o Estado como suporte; a estrutura judiciária voltada a defender os interesses dos grandes empresários; a reforma agrária popular, entre outros.

 

 

 

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