Dois jubileus instigantes e proféticos

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

A Igreja Católica celebra, em 2018, dois jubileus que lembram dois documentos memoráveis pela sua projeção e impacto: As conclusões da Conferência de Medellin e a Encíclica Humanae Vitae, do Bem-Aventurado Paulo VI. As conclusões da II Conferência do Episcopado Latino americano receberam as determinações do Concílio Vaticano II e também da Populorum Progressio, do mesmo Papa Paulo VI.

Suas reflexões não só adaptaram a renovação conciliar, mas foi uma resposta corajosa à realidade de desigualdade e miséria do cenário sul- americano e caribenho.   As palavras de ordem, que encontramos nos documentos Paz e Pobreza, foram libertação e desenvolvimento integral e solidário diante de um contexto marcado pela injustiça e desigualdade. Assume-se a opção preferencial pelos pobres, consequência de um Evangelho encarnado que segue fielmente a Jesus de Nazaré.

Tratava-se de propor transformações profundas que convertessem as estruturas de violência institucionalizada. Já a Humanae Vitae, foi questionada e mal compreendida, não entendendo a proposta autenticamente humana e renovadora da dignidade da vida e a responsabilidade da sua transmissão. O Papa Paulo VI apresentava o amor conjugal qualificado como terno e humano, fiel, permanente e fecundo, unindo intrinsecamente as duas funções do matrimônio: a unitiva e a procreativa, não hierarquizando-as, como o Código de 1917, que falava de finalidade primária e secundária.

Respira-se a perspectiva personalista e dialógica da Aliança matrimonial centrada na comunhão de vida. Importa dizer que ambos os documentos promovem a civilização do amor e da Paz, pois, como bem afirmou o Bem-Aventurado Paulo VI, quer-se limitar a população Mundial, impondo um controle totalitário que, em vez de partilhar os alimentos do banquete da vida, opta por excluir os pobres. Com o Deus da Vida, defendemos e anunciamos a libertação integral de todas as pessoas e Povos e a inegociável dignidade da vida Humana. Deus seja louvado!

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