Dom Erwin lembra os cinco anos do assassinato de irmã Dorothy

Nesta sexta-feira, 12, o bispo prelado do Xingu (PA) e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Erwin Kräutler, lembrou em artigo os cinco anos do assassinato da irmã Dorothy Stang, morta por Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista.

No texto, dom Erwin lembra o trabalho ao qual se dedicou a freira norte-americana no Brasil. “Dorothy viveu em vida a opção pelos pobres sem deixar-se intimidar ou constranger. Com a sua morte, porém, Dorothy ultrapassou todos os limites e fronteiras. Sacudiu o mundo, descerrando a face ensanguentada da Amazônia, fazendo ecoar os gritos e revelando as dores que golpeiam os povos que aqui vivem”. O bispo lembra também daquele sábado, em que os dois assassinos lhe tiraram a vida. “Foi assassinada porque abraçou “a justiça e o direito” e lutou para livrar “o oprimido das mãos do opressor”.

Dom Erwin também acrescenta ao texto os últimos eventos em que mais uma vez chamou a atenção da imprensa em torno do mandato de prisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a Vitalmiro Bastos, o Bida, mandante do crime que resultou no assassinato da freira. “Há poucos dias um dos acusados é preso outra vez . Foi condenado a 30 anos e absolvido em um segundo julgamento. Agora outro recurso consegue anular o veredicto anterior e o fazendeiro recebe novamente voz de prisão […]. Em breve, algum advogado experto vai achar outra brecha na legislação e o homem conseguirá mais um alvará de soltura para acrescentar à sua coleção. O mesmo se diga do tal desaforamento anunciado agora . Precisava cinco anos para chegar a essa conclusão?!”.

Para o bispo, nestes cinco anos após o assassinato de irmã Dorothy, há outros fatos a serem lamentados, entre eles, a construção da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu. “A Amazônia que Dorothy tanto defendeu e pela qual doou sua vida, recebe mais um golpe, desta vez de proporções que ainda nem sequer podemos vislumbrar”. Dom Erwin completa acrescentando destacando a política que predomina no país. “É a política do rolo compressor, é a tática do fato consumado, é o método do autoritarismo que não aceita contestação! E Dorothy, no seu túmulo, chora a desgraça anunciada!”.

Leia aqui a íntegra do texto.

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