Dom Ricardo Hoepers resgata ensinamentos da Igreja para manter a esperança

A crise pela qual passa o Brasil tem sido manifestada em vários campos da vida em sociedade, como a economia, a ética, nas instituições e na ausência dos valores. Neste período eleitoral, quando o país se volta para suas demandas e problemáticas, o bispo de Rio Grande (RS), dom Ricardo Hoepers, retoma vários trechos de documentos da Igreja que podem iluminar os debates que estão na agenda do dia.

“A Doutrina Social da Igreja é uma das preciosidades que os cristãos precisam desempoeirar, resgatando assim, o seu brilho”, afirma o bispo.

Presente na audiência sobre a ação da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, que pede a descriminalização do aborto, no STF, dom Ricardo toma o episódio como exemplo para falar do cenário de incertezas e de grandes confusões sobre o papel a ser desempenhado pelos Poderes do Estado Democrático e os limites de atuação pertencentes a cada um deles.

“Quando ouvimos falar em ativismo jurídico, juridicização política, corrupção no Legislativo, Executivo como refém do Legislativo, começamos a perceber a tensão dessa corda que está ficando a cada dia mais apertada e o som da Democracia, cada dia mais estridente”, observa.

Para dom Ricardo, essa tensão entre os Poderes é apenas um sintoma, um sinal, um alerta de um problema maior: o esfacelamento dos valores éticos e dos componentes morais que deteriorou a vida humana e sua organização social.

“Na ausência de valores morais, a política pode ser facilmente instrumentalizada para fins de poder”, sublinha, ao seguir citando a encíclica Centesimus Annus: “Uma democracia sem valores converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado como a história demonstra”.

Dom Ricardo Hoepers em seu artigo, publicado no Portal da CNBB, cita o Compêndio da Doutrina Social da Igreja e outras cartas papais, como as encíclicas Evagelium vitae (sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana), Sollitudo Rei Socialis (sobre solicitude social da Igreja) e Mater et Magistra (sobre a evolução da questão social à luz da doutrina cristã); a constituição dogmática Lumen Gentium (luz dos povos); a carta apostólica Novo Millenio ineunte; a carta às famílias Gratissimam sane; o Catecismo da Igreja Católica e pronunciamentos do papa Francisco e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

As reflexões do prelado passam por quatro pontos: “Valores éticos como componentes da estabilidade democrática”, “Os componentes morais da representação política”, “Participação como componente de garantia da Democracia” e “Não escondamos nossa esperança”.

“Acreditamos na justiça social, na cultura da vida, na civilização do amor, e como diz o Papa Francisco na Audiência Geral de 14/09/2016, ‘ninguém pode nos roubar a esperança’”, escreveu o bispo. A DSI confirma o valor desta virtude na vida do cristão: A esperança cristã imprime um grande impulso ao compromisso em campo social, infundindo confiança na possibilidade de construir um mundo melhor, na consciência de que não pode existir um «paraíso terrestre» (São João XXIII, Mater et magistra, 451)”.

“Em tempos de relativismo, de descriminalização do aborto, de violência social, de corrupção política, de imposição ideológicas da cultura da morte, de desagregação familiar, todos nós, cristãos, possamos nos empenhar no serviço da caridade como fundamento da tutela dos vulneráveis, dos indefesos e inocentes”, conclama dom Ricardo.

Leia o artigo na íntegra:

Não escondam esta esperança… (Lumen gentium, 35) 

 

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