Ecumenismo Espiritual – Espiritualidade Ecumênica

“O ecumenismo é um chamado, pede a todos nós uma conversão ao mais essencial e ao mais profundo” (Y. Congar). “Falando com exatidão, o ecumenismo não é busca de comunhão. O ecumenismo é – e isto muda nossa atitude fundamental – o esforço para dar à comunhão que já existe entre os cristãos a plenitude desejada por Cristo” (J.M. Tillard). “A verdadeira reconciliação é a comunhão mística entre as Igrejas, que acontecerá quando o amor buscar e encontrar formas eclesiais[…]; só a santidade viva e autêntica pode constituir um verdadeiro ponto de partida para buscar e alcançar a unidade[…]; a verdadeira compreensão da unidade não é possível senão pelo conhecimento da santidade do outro” (Vladimir Zielinski). “

Um destes santos será aquele que aparecer com o sinal da unidade. Falo precisamente de um santo e não de um filósofo ou de um cientista. Isto não quer dizer que ele deva ser ignorante, mas que surgirá repentinamente. Como todo santo, ele está solidamente enraizado na própria Igreja e saberá compartilhar seu dom com os demais. Provavelmente terá dificuldades com seus irmãos conservadores ou reformadores, mas sua santidade será reconhecida não pela sua reputação, mas pelos seus frutos”(H. de Lubac). “A unidade da Igreja experimenta-se na resistência e perseguição comuns. A Unidade ecumênica originou-se e origina-se mais nos cárceres que nas conferências mundiais. Foi nos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial que nasceu a vontade ecumênica na Europa. Nos cárceres das ditaduras, muitos experimentaram a unidade da Igreja” (J. Moltmann).

II Considerações bíblico-teológicas

Jesus orou:… “que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

Na véspera de seu maior sofrimento Jesus expressa seu desejo pela unidade numa prece dirigida a seu Pai. A unidade é dom que vem do alto. A sua origem e seu caminho conduzem na direção de uma comunhão amorosa com a Trindade. A prece cristã é uma fiel participação na oração de Jesus.

“Lembrem-se todos os cristãos de que tanto melhor promovem e até realizam a união dos cristãos, quanto mais se esforçarem para levar uma vida mais pura, de acordo com o Evangelho. Porque, quanto mais unidos estiverem em comunhão com o Pai, o Verbo e o Espírito, tanto mais íntima e facilmente conseguirão aumentar a fraternidade mútua. Esta conversão do coração e esta santidade de vida, juntamente com as súplicas particulares e públicas pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecumênico, e com razão podem ser chamadas ecumenismo espiritual” (UR 7).

A oração pela unidade é a porta régia para o ecumenismo: leva os cristãos a olharem para o Reino de Deus e para a unidade da Igreja de maneira nova; aprofunda seus laços de comunhão e permite que encarem, corajosamente, memórias dolorosas, fardos de fraqueza humanas e sociais.

“No caminho ecumênico para a unidade, a primazia pertence, sem dúvida, à oração comum, à união orante daqueles que se congregam à volta do próprio Cristo. Se os cristãos, apesar de suas divisões, souberem unir-se cada vez mais em oração comum ao redor de Cristo, crescerá a sua consciência de como é reduzido o que os divide em comparação com aquilo que os une. Se se encontrarem sempre mais assiduamente diante de Cristo na oração, os cristãos poderão ganhar nova coragem para enfrentar toda a dolorosa realidade humana das divisões, e reencontrar-se-ão juntos naquela comunidade da Igreja, que Cristo forma incessantemente no Espírito Santo, apesar de todas as debilidades e limitações humanas” (UUS 22).

A espiritualidade ecumênica exige uma mudança de coração. O caminho para a reconciliação e a comunhão se apresenta quando os cristãos sentem a dolorosa ferida da divisão em seu coração, em sua mente e em sua prece. Essa experiência torna os cristãos conscientes de quanto dano tem sido provocado, mas também os desperta para se disporem a fazer um sério exame de consciência, reconhecendo as faltas e confiando no poder reconciliador do Evangelho.

“Alimentados e sustentados pela Eucaristia, os católicos não podem deixar de se sentir estimulados a tender para aquela unidade plena que Cristo desejou ardentemente no Cenáculo. Deste supremo anseio do Mestre divino o Sucessor de Pedro deve ocupar-se de modo especial[…].Mas o que é mais urgente é aquela “purificação da memória” tantas vezes recordada por João Paulo II, a única que pode predispor os ânimos ao acolhimento da plena verdade de Cristo” (Bento XVI, Primeira mensagem de sua Santidade Bento XVI no final da concelebração eucarística com os cardeais eleitores na Capela Sixtina, quarta-feira, 20 de Abril de 2005). “Por isso, o ecumenismo espiritual, isto é, a oração, a conversão e a santificação da vida constituem o coração do encontro e do movimento ecumênico” [cf. UR 8; UUS 15s, 21 etc] (Bento XVI, Discurso do Papa Bento XVI por ocasião do encontro ecumênico no Palácio Episcopal de Colônia, sexta-feira, 19 de agosto de 2005).

Nos números seis até nove, o Decreto Conciliar sobre a Unidade dos Cristãos destaca a conversão pessoal, a santidade da vida, o perdão recíproco, a purificação da memória, a diaconia e a caridade, e o conhecimento dos outros como elementos fundamentais para a restauração da unidade. No número oito aponta a conversão do coração, a santidade da vida e a oração pública pela unidade dos cristãos. A unidade plena não é obra humana, mas dom do Espírito (At 1,14). A oração sacerdotal de Jesus invoca a necessidade da unidade “para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). A busca pela unidade, portanto, é elemento constitutivo da missão evangelizadora da Igreja (cf. UR 3, UUS 20), porque “a divisão dos cristãos entre si é um estado de fato grave, que chega a afetar a própria obra de Cristo” (EN 77).

Nós não fazemos a unidade; ela é dom. Vem, Espírito Santo vem! “Avança-se pelo caminho que conduz à conversão dos corações ao ritmo do amor que se dedica a Deus e, ao mesmo tempo, aos irmãos: a todos os irmãos, inclusive àqueles que não estão em plena comunhão conosco. Do amor nasce o desejo de unidade, mesmo naqueles que sempre ignoraram tal exigência. O amor é artífice de comunhão entre as pessoas e entre as Comunidades. Se nos amamos, tendemos a aprofundar a nossa comunhão, a orientá-la para a perfeição. O amor é dedicado a Deus como fonte perfeita de comunhão – a unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo –, para dela haurir a força de suscitar a comunhão entre as pessoas e as Comunidades, ou de a restabelecer entre os cristãos ainda divididos […]. Este amor encontra a sua expressão mais acabada na oração em comum. Quando os irmãos que não estão em perfeita comunhão entre si, se reúnem em comum para rezar, esta oração é definida pelo Concílio Vaticano II como alma de todo o movimento ecumênico” (UUS 21). Esta oração, Cristo presente nela, que reza em nós, conosco e por nós, nos induz a ver com olhos novos a Igreja e o cristianismo, nos permite perceber que ela está ao serviço da missão e da sua credibilidade (cf. UUS 22).

Em sintonia com o Concílio Vaticano II, o Documento de Aparecida afirma que uma das bases importantes do movimento ecumênico é a oração e a conversão (cf. DA 230); o ecumenismo, que nasce da oração de Jesus, só é sustentável através da oração, conversão e reconciliação dos discípulos (cf. DA 228, 234).

A Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos constitui certamente o centro dos empenhos ecumênicos de todo o ano litúrgico. Esta semana deveria permear todas as nossas atividades e não somente se restringir a uma semana cronológica.

III A Oração

“Em algumas circunstâncias particulares, como por ocasião das orações pela unidade e em reuniões ecumênicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração” (UR 8). “Com o olhar voltado para o novo milênio, a Igreja pede ao Espírito a graça de reforçar a sua própria unidade e de a fazer crescer, até a plena comunhão com os outros cristãos. Como conseguí-lo? Em primeiro lugar, com a oração. A oração sempre deveria incluir aquela inquietação que é o anelo pela unidade e, portanto, uma das formas necessárias do amor que nutrimos por Cristo e pelo Pai, rico em misericórdia. A oração deve ter a prioridade neste caminho que empreendemos com outros cristãos…” (UUS 102).

Quando os cristãos rezam o ‘Pai nosso’, a oração do Senhor, o rezam em comunhão com todos os batizados, sendo esta oração, apesar das divisões, o patrimônio comum de todos os batizados. Ao rezar o ‘Pai nosso’ pedem ao Pai a realização plena do seu projeto salvífico incluindo a cura de todas as divisões, o discernimento de sua vontade (cf. ‘a unidade como Tu a queres e através dos meios que Tu queres’, P. Couturier), a superação da fome e a vida plena para os necessitados, e, finalmente a destruição dos muros da discórdia e da desunião (cf. Ef 2,11-22).

Pessoalmente, o cristão é chamado: a) dar a devida atenção à prece pela unidade na celebração da eucaristia, b) inserir, onde for possível, intercessões particulares, pela unidade dos cristãos, na oração litúrgica da Igreja, c) oferecer preces diárias ou devoções pela intenção da unidade dos cristãos, e) buscar a unidade dos cristãos, através de jejum, penitência e conversão pessoal, f) unir suas dificuldades e sofrimentos aos de Cristo na intenção da unidade dos cristãos.

Unidos pelo mesmo Batismo e pela mesma confissão no Deus Triuno, os cristãos são incentivados a se unirem, em oração, com os membros de outras tradições cristãs. A oração é um meio efetivo para pedir a Deus a restauração da plena unidade, e como tal deveria ocupar um lugar de destaque em todas as orações feitas em comum.

A celebração anual da Semana de Oração pela Unidade, promovida pelo Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, feita no mundo inteiro, é iniciativa de singular importância a ser incentivada e sempre mais desenvolvida.

Respeitando as tradições litúrgicas distintas como herança sagrada de cada confissão, a participação nos serviços litúrgicos oferece uma oportunidade para entender melhor as preces uns dos outros e partilhar as tradições litúrgicas. Cristãos participam também de cultos ecumênicos por ocasião de certos eventos importantes da sociedade civil.

Cristãos podem rezar juntos:

  • durante a anual Semana de Oração pela Unidade;
  • por ocasião de encontros ecumênicos;
  • durante certos períodos importantes do ano litúrgico;
  • em memória dos mortos;
  • em tempos de desastre ou luto comunitário;
  • em dias significativos da vida de outras Tradições;
  • em situações de profunda necessidade e resposta a preocupações comuns;
  • quando uma nação, região ou comunidade agradece ou intercede diante de Deus;
  • por ocasião de dias mundiais de oração;
  • em dias especiais da vida pública ou social.

(cf. Cardeal Walter Kasper, Guia para uma espiritualidade ecumênica. São Paulo, Paulinas, 2007. 26-44).

IV Considerações práticas para a realização da Semana de Oração pela Unidade.

A Semana de Oração é um programa ecumênico, celebrado no Brasil e em outros países do hemisfério sul, na semana que antecede a festa de Pentecostes. O Reverendo Paul Watson, em 1908, começou a difundir uma proposta de oração a ser realizada de 18 a 25 de janeiro. Essa proposta foi renovada pelo Padre Paul Couturier, em 1935, que lhe deu como objetivo a unidade ‘como Cristo quer e pelos meios que ele deseja’. A partir de 1926, o movimento “Fé e Constituição”, que reunia algumas Igrejas cristãs, começou a publicar ‘sugestões para uma semana de oração pela unidade dos cristãos’ antes de Pentecostes. Mais tarde, a Comissão Católico-romana para a Unidade de Lyon, França, ofereceu a sua colaboração para a elaboração da Semana. Enfim, desde 1966, a Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, se uniram na promoção da semana no mundo inteiro. A cada ano grupos ecumênicos de diferentes países são escolhidos pelas duas instituições para elaborar as sugestões. Os textos são difundidos pelo mundo e adaptados ao respectivo contexto concreto. No Brasil, o CONIC assumiu a tarefa de adaptar os textos e coordenar as ações da semana.

Coordenação

  • Formar uma equipe ecumênica permanente em três níveis: diocesano, paroquial, comunitário.

Planejamento

  • Representantes das Igrejas envolvidas planejam as ações: ler o material, decidir o cronograma, traçar metas, divulgar datas e programas, avaliar os eventos.
  • Distribuir as tarefas de forma equilibrada.
  • Planejar eventos fora do contexto eclesial.

Público-Alvo

  • Irmãos e Irmãs das diferentes Igrejas. Sendo isso impossível, o público-alvo seja de membros de uma só Igreja como processo educativo para a espiritualidade ecumênica.

Divulgação

  • Meios das próprias Igrejas envolvidas.
  • Meios fora das Igrejas.
  • Conversas pessoais, artigos em jornais, cartazes, faixas, entrevistas na mídia, estudos, palestras.

Celebração

  • Uma, duas celebrações ou todos os dias, se for possível seguir um rodízio previamente estabelecido entre as Igrejas: em Igrejas que pertencem ao CONIC.
  • Troca de púlpito: uma Igreja-membro do CONIC acolhe os fiéis das outras Igrejas, e um membro de uma das Igrejas visitantes pronuncia a homilia.
  • Dar visibilidade às Igrejas presentes através de cartazes, chamadas, apresentações, encenações, símbolos.
  • Tornar conhecido o CONIC.
  • Valorizar a hospitalidade, o acolhimento, a alegria pela presença do Irmão e da Irmã.
  • Dar atenção especial às famílias em que convivem pessoas de diferentes Igrejas.
  • Existem CD’s com cânticos ecumênicos (2 das Campanhas da Fraternidade, um outro chamado ‘Canções da Unidade’ das Paulinas).
  • Lembrar do ‘Pai Nosso’ e do ‘Símbolo Apostólico’ em versão ecumênica; rezar o Credo niceno-constantinopolitano como fundamento da Fé comum.
  • Onde se optar por uma única celebração, recomenda-se uma solene.
  • A busca da unidade é conjunta. Não é trabalho de uma Igreja puxando a outra; por isso o planejamento há de ser feito com a colaboração das partes envolvidas, das comunidades e paróquias. Visitas anteriores de membros das comissões ecumênicas mistas para convidar de maneira pessoal e simpática, ajudam a criar um clima propício.

Coleta

  • O objetivo é a oração, mas a responsabilidade pela causa ecumênica tem como conseqüência essa oferta voluntária, sinal de compromisso e participação: 20% para a realidade local, 30% para o CONIC regional, 50% para o CONIC nacional.

A Semana da Oração pela Unidade é tempo privilegiado a ser prolongado durante todo o ano, com orações regulares pela unidade. Ela quer ser um momento forte de despertar. Será necessário encorajar reuniões contínuas. Incluir preces na oração dos fiéis aos domingos ou em dias marcados durante a semana. Usar símbolos como velas com o logotipo do Movimento Ecumênico. Trocar experiências de espiritualidade desconhecida como visita a um mosteiro, a uma igreja de outra tradição, livros de canto e de oração para aprofundar o conhecimento mútuo.

Informações

  • Site do CONIC: www.conic.org.br.
  • Site da casa de reconciliação: www.casadareconciliacao.com.br (cf. links e organismos ecumênicos indicados)
  • Site da CNBB: www.cnbb.org.br (ícone: ecumenismo).
  • Site do Vaticano: www.vatican.va (Conselhos – Pontifício Conselho para Promoção da Unidade).
  • Site do Departamento de Diálogo Ecumênico e Interreligioso (Instituto Teológico de Santa Catarina) www.itesc.ecumenismo.com

Nestes sites encontram-se links para outros sites.

V SEMANA DE ORAÇÃO PARA A UNIDADE DOS CRISTÃOS 2010

Vós sois as testemunhas disso (Lc 24,48)

Introdução

Estamos celebrando em 2010 o centenário da Conferência Missionária Mundial de Edimburgo que marcou o começo do movimento ecumênico moderno. Os delegados oficiais das sociedades missionárias protestantes de diferentes ramos do protestantismo e do anglicanismo, junto com um convidado ortodoxo, encontraram-se durante o verão de 1910 na capital da Escócia com o objetivo de ajudar os missionários na África e na Ásia a construir um espírito comum e coordenar o seu trabalho. Somente estavam presentes aquelas sociedades missionárias que trabalhavam para anunciar o evangelho em novos territórios onde Cristo ainda não era conhecido. Assim, as sociedades que trabalhavam na América Latina ou no Oriente Médio, onde já estavam a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas, não foram convidadas.

Reconhecendo esse importante marco na história do movimento ecumênico, era natural que a Comissão Fé e Ordem e o Pontifício Conselho convidassem as Igrejas escocesas (Igreja Episcopal da Escócia, Exército da Salvação, Igreja da Escócia, Igreja Católica Romana, Igreja Reformada Unida) para preparar a Semana de Oração de 2010.

Na sua catequese proferida durante a audiência de 20.01.2010, Bento XVI se refere à Semana de Oração pela Unidade convidando os cristãos para crescerem na profissão comum e no testemunho concorde de Jesus Cristo e pedindo a oração de todos pela consolidação das relações fraternas. O Papa recorda com gratidão, o progresso realizado nas relações fraternas com as Igrejas do Oriente e as Comunidades Eclesiais do Ocidente. Ele menciona o mútuo reconhecimento do Batismo, as questões relativas ao matrimônio misto, os casos parciais da ‘comunicatio in sacris’, os contatos com os movimentos pentecostais. Bento XVI destaca o estudo sobre ‘o papel do Bispo de Roma na comunhão da Igreja no primeiro milênio’ com as Igrejas ortodoxas iniciado em Paphos, Chipre, em outubro de 2009 e o encontro com as Igrejas ortodoxas orientais em janeiro de 2010. Durante o ano de 2009 foram examinados os resultados alcançados com a Igreja Anglicana, a federação Luterana Mundial, a Aliança Reformada Mundial e o Conselho Mundial Metodista. Entre os eventos mais significativos o papa lembra a comemoração do décimo aniversário da Declaração conjunta sobre a doutrina da justificação e a visita do Arcebispo de Canterbury. Os cristãos anunciam Jesus Cristo, sua cruz e ressurreição, o mistério de Cristo, o Filho de Deus feito homem, morto por nós e ressuscitado, Cristo que nos mostra Deus próximo a nós. O processo de conhecimento de Cristo implica um processo intelectual e existencial, uma abertura do ‘eu’ e da própria transformação pela presença e força de Cristo, mas também um processo de abertura em direção a todos aqueles que devem ser corpo de Cristo. (Cf. Bento XVI, Catechesi del Santo Padre. L’udienza generale, 20.01.2010).

Durante a celebração das vésperas na conclusão da Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos, o papa no seu sermão mais uma vez chama os cristãos a um testemunho comum do Cristo ressuscitado. Ele pede que as questões que ainda separam os cristãos sejam superadas pela oração e pelo diálogo. Juntos os cristãos devem anunciar a paternidade de Deus, a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte com sua cruz e ressurreição, a confiança na ação transformadora do Espírito; juntos devem enfrentar os desafios do nosso tempo como a secularização e a indiferença, o relativismo e o hedonismo, os temas éticos como início e fim da vida, os limites da ciência e da tecnologia, o diálogo com as outras religiões; e juntos devem dar um testemunho comum da salvação da criação, da promoção do Bem comum e da paz, da defesa da centralidade da pessoa humana, e do empenho para vencer a fome, a miséria, o analfabetismo e promover a justa distribuição dos bens (cf. Bento XVI. Celebrazione dei vespri nella solennità della conversione di San Paolo Apostolo, a conclusione della settimana di preghiera per l’unita dei cristiani. 25.01.2010).

Roteiro celebrativo

Durante a Semana da Unidade somos convidados a meditar cada dia sobre o capítulo 24 do evangelho de Lucas. As mulheres assustadas, os dois discípulos no caminho de Emaús, os onze discípulos dominados pelo medo, todos que se encontram com o Ressuscitado são enviados em missão: “E vós sois as testemunhas disso” (Lc 24,48). A missão da Igreja é dada por Cristo e não pode ser posse particular de ninguém.

O lema para a Semana é “Vos sois as testemunhas disso” (Lc 24,48), tirado do capítulo 24 de Lucas, que é o ponto central da celebração. Esse é também o lema escolhido pelos cristãos da Escócia para celebrar o centenário da Conferência de Edimburgo.

O roteiro na sua estrutura é bastante simples. É composto pela: a) abertura, acolhida; b) celebração da Palavra de Deus; c) intercessões, ação de graças; d) envio. Há propostas de cantos, orações, comentários, questões para discutir e gestos. No final a apostila apresenta os temas das Semanas de 1968 a 2010.

VI Bibliografia

AMERINDIA (org.). V conferência de Aparecida. São Paulo, Paulinas, 2008.
CELAM, Documento de Aparecida. Brasília, São Paulo, CNBB, Paulus, Paulinas, 2007.
DECRETO UNITATIS REDINTEGRATIO SOBRE O ECUMENISMO. In: Documentos do Concílio Vaticano II, São Paulo, Paulus, 1997.
JOÃO PAULO II. Ut unum sint. Petrópolis, Vozes, 1995.
KASPER, C.W. Guia para uma espiritualidade ecumênica. São Paulo, Paulinas, 2007.
PAULO VI. Evangelii Nuntiandi. In: Documentos da Igreja 3. Paulus, 1997.
PCPUC. Diretório para a aplicação dos princípios e normas sobre o ecumenismo. São Paulo, Paulinas, 1994.
PCPUC. Subsídios para a Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos e para todo o ano
2010. In: www.vatican.va.
SUESS, P. Dicionário de Aparecida. São Paulo, Paulus, 2007.
WOLFF, Caminhos da Unidade, Paulus, 2002
WOLFF, A Unidade da Igreja, Paulus, 2007

Escreva um Comentário

Ver todos os Comentários

Seu endereço de email não será publicado. Também outros dados não serão compartilhados com a terceira pessoa. Campos obrigatórios marcados como * *

Share This