Educar para quê?

Dom Leomar Brustolin
Bispo auxiliar da arquidiocese de Porto Alegre

Há poucos dias comemoramos o dia do professor. Essa indispensável e não suficientemente valorizada profissão, nos faz repensar o modelo educativo que produzimos. A evolução repentina e por vezes contraditória do nosso tempo suscita desafios que interpelam a comunidade educativa. Eles induzem a encontrar respostas adequadas não só em âmbito dos conteúdos e dos métodos didáticos, mas também em nível da experiência comunitária que caracteriza a ação educativa.

A importância destes desafios transparece do contexto de complexidade social, cultural e religiosa na qual crescem concretamente as jovens gerações, e influencia significativamente a sua vida. Tratam-se de fenômenos amplamente difundidos, tais como o desinteresse pelas verdades fundamentais da vida humana, o individualismo, o relativismo moral e o utilitarismo.

Torna-se urgente oferecer aos jovens um percurso de formação que não se limite à fruição individualista e instrumental de um serviço apenas em vista de um título que deve ser obtido. Além da aprendizagem dos conhecimentos, é necessário que os estudantes façam uma experiência de forte partilha com os educadores. O ser humano, como pessoa, se realiza dinamicamente mediante a abertura de si à relação com o outro.

No atual contexto é necessário formar sujeitos capazes de respeitar a identidade, a cultura, a história, a religião e, sobretudo os sofrimentos e as necessidades dos outros, na consciência de que “todos somos verdadeiramente responsáveis por todos.” Grandes questões antropológicas ficam escondidas na reflexão cotidiana até na escola e na universidade: qual é o significado de pessoa humana hoje? Qual o sentido de nossos trabalhos? Sobre o que funda a nossa esperança?

Os altos índices de frustração, estresse e depressão e os preocupantes dados sobre suicídio entre adolescentes e jovens nos impelem a questionar o atual modelo de sociedade, educação e cultura que estamos sustentando. Educar para a vida e rejeitar a cultura da morte, do vazio e do cansaço, implicam em rever nossa sociedade baseada no desempenho, sucesso e progresso a qualquer custo. O grito alarmante do planeta, nossa Casa Comum, sobre a sustentabilidade da vida (e vida humana) na Terra, deveria nos acordar dessa sonolência e distração que há muito tempo está se mantendo.

Acordemos! Eduquemos nosso olhar para valores que todos reclamamos a falta, mas pouco nos empenhamos em começar pela nossa casa e escola. A vida continua bela e plena de sentido, mas muitos não estão sendo educados nessa perspectiva. Que nossos educadores sejam reconhecidos na arte de humanizar uma sociedade que  tanto clama por sentido e ética.

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