Em defesa da Amazônia na Conferência de Aparecida

Pe. Geraldo Martins
Aparecida / SP

Preocupado com a ameaça que sofre a Amazônia, o bispo da Prelazia do Xingu, no Pará, dom Erwin Kräutler, chamou a atenção para a necessidade da Conferência de Aparecida debater o tema. “Nosso objetivo é chamar a atenção do Brasil, da América Latina e do mundo para a questão da Amazônia”, explicou dom Kräutler durante a coletiva de imprensa da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, no sábado, 19 de maio.

Residindo na região há 42 anos, o bispo defende que a Amazônia não é um assunto só brasileiro. “A Amazônia é 5% do globo terrestre e 40% da América do Sul”, pondera.

Dom Kräutler teme que, por causa do etanol, o Brasil, especialmente a Amazônia, se torne um grande canavial. “Se o Brasil vive a perspectiva de se tornar um imenso canavial (por causa exportação do etanol), a Amazônia recebe o golpe fatal para a Amazônia. Podemos cantar o réquiem. Se continuarmos assim, dou, no máximo, 30 anos para a Amazônia”, denuncia.

Segundo afirma, o desafio é desenvolver a Amazônia de modo sustentável e atento para a ecologia e os povos que residem na região. “Ecologia não é só defesa da flora e da fauna. Quando defendemos a Ecologia, fazemos isso a partir da Teologia da Criação, defendemos o povo. E na Amazônia, não existe apenas um povo, mas povos. São indígenas, ribeirinhos, migrantes”, esclarece.

Outra preocupação do bispo é com a internacionalização da Amazônia que ele chama de um “fantasma” que coloca em risco a soberania nacional. “É um absurdo pensar que o Brasil vai perder a soberania sobre a Amazônia”. Para ele, defender a Amazônia é tarefa de todos os países e convoca os meios de comunicação social para ajudar nessa tarefa. “Todos os países têm a missão de colaborar como Brasil e com os outros países que têm parte da Amazônia. Convocamos os meios de comunicação para serem o porta-voz das angústias da Amazônia”.

Expectativas da Conferência

Dom Kräutler mostrou-se otimista quanto ao andamento da V Conferência e apontou os temas que mais afloraram nesta primeira semana de trabalho. “A situação é bastante animadora. Os temas que mais afloraram foram o fenômeno da migração, a opção pelos pobres, a questão da ecologia e a revitalização das CEBs pedida com insistência por alguns bispos”, destacou.

Sobre as CEBs, o bispo do Xingu afirma que “são rede capilar espalhada por toda a Amazônia. A Igreja só vive nas comunidades onde se vive a dimensão samaritana, profética, celebrativa e missionária”.

De folga a partir das 13 horas de sábado, os bispos e participantes da Conferência retomam as sessões na manhã desta segunda-feira, 21 de maio. Ainda no sábado, à tarde, alguns bispos visitaram a Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá, a mesma visitada por Bento XVI, um dia antes de abrir a Conferência.

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