Pastoral do Turismo define estratégias de ação e evangelização no mundo urbano

A atuação da Igreja no mundo urbano foi um dos temas trabalhados durante um encontro nacional da Pastoral do Turismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado no Centro Cultural Missionário, em Brasília (DF), de 19 a 21 de julho. Uma realidade que se apresenta, hoje, como um grande desafio para todos os setores da sociedade, em particular para a Igreja.

Agentes da Pastur dos estados do Pará, Bahia, Goiás, São Paulo e Paraná avaliaram e planejaran as ações da Pastoral em todo Brasil.

“Começamos refletindo sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-203. Um segundo momento foi o de avaliação, com luzes e sombras da trajetória da Pastur nos últimos anos e um terceiro momento, de planejamento, com escolha de prioridades”, destacou o coordenador nacional da Pastur, padre Manoel Filho.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 86% da população brasileira vive nas cidades, sobretudo nos grandes centros urbanos. As consequências são o agravamento das condições de vida e a falta de infraestrutura adequada para atender as necessidades sempre crescentes nas cidades aumentando assim a pobreza e a violência.

Dom Irineu Roman

Essa realidade foi retratada pelo bispo auxiliar de Belém do Pará e referencial da Pastoral, dom Irineu Roman, que apresentou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023, estabelecidas em quatro pilares.

  • A casa é onde as pessoas são identificadas pelo nome, pelo jeito, onde têm história: Palavra de Deus e a iniciação à vida cristã;
  • O Pão, que é a casa sustentada pela liturgia e sobre a espiritualidade;
  • A Caridade, que é a casa sustentada sobre o acolhimento fraterno e sobre o cuidado com as pessoas, especialmente os mais frágeis e excluídos e invisíveis;
  • A Missão, porque é impossível fazer uma experiência profunda com Deus na comunidade eclesial que não leve, inevitavelmente, à vida missionária.

Dentro da realidade do turismo religioso, dom Irineu Romam explica que as ações das DGAE impactam justamente na formação e atuação dos agentes da Pastur. “Os agentes e profissionais do Turismo precisam de Formação e Espiritualidade tendo em vista o exercício da missão que lhes é própria, ou seja, evangelização do mundo do Turismo”.

Segundo o bispo, os agentes precisam passar pelo processo de conversão também, conforme orientação do documento de Aparecida: Encontro com Jesus Cristo, Conversão pessoal, Comunhão,  Discipulado e Missão.

“Além disso, o mundo do Turismo precisa ser evangelizado. Precisamos avançar a fim de que o ‘turista’ se transforme em ‘peregrino’ na fé, na escuta da Palavra e no compromisso com a Igreja pela prática  da Caridade. Não podemos mais perder a oportunidade de evangelizar o mundo do Turismo”, ressaltou.

Logo após a abertura, o encontro foi dividido entre avaliação e planejamento. De acordo com o padre Manoel Filho, a avaliação identificou luzes e sombras da caminhada dos últimos anos, identificando o que devia ser mantido e o que devia ser iniciado.

Padre Manoel Filho. Foto: Tadeu Figueira

“Caminhamos muito. Partimos do zero, tanto no que tange à compreensão sobre identidade e missão da Pastur quanto como presença na Igreja do Brasil. Embora tenhamos consciência do muito que há por compreender e fazer, nos alegramos pelo que já foi caminhado”, ressaltou.

A Pastur é uma ação pastoral de presença junto ao mundo do turismo em todas as suas dimensões: comunidades acolhedoras, trabalhadores do turismo e turistas, para apresentar Jesus Cristo, cuidar dos mais vulneráveis e preservar a dignidade da pessoa, o patrimônio artístico, cultural e natural.

De acordo com o padre, já existem mais de 20 núcleos da Pastur em nove estados brasileiros. “Queremos denunciar tudo que fere o homem em sua dignidade e apresentar alternativas para o seu desenvolvimento, a partir do turismo”, disse.

Ao final do encontro, para cada dimensão de ação da Pastur foram definidas duas prioridades para serem implementadas no próximo ano e apresentadas em encontros dos agentes da Pastur durante o 2º Encontro Latino Americano da Pastur. Segundo as diretrizes apresentadas pelo Departamento de Promoção Humana do CELAM, a pastoral tem quatro linhas de ação fundamentais: Turismo Religioso e Cultural, Turismo de Base Comunitária, Dimensão Profética e Formação de Agentes.

“Para cada dimensão escolhemos duas prioridades como, por exemplo, maior aproximação com a articulação dos reitores de santuários, para a dimensão do Turismo Religioso e Cultural e a promoção de cursos e oficinas para gerar emprego e renda, como proposta de ação na Dimensão Profética”, ressalta padre Manoel.

Como meta essencial para a ampliação da presença da Pastur do Brasil ficou decidido que além da realização do primeiro encontro Nacional de agentes de viagens do Turismo; a implantação de novos núcleos de Pastur nas dioceses e santuários e a aproximação com as organizações de Turismo de Base Comunitária, a coordenação nacional se propôs a escrever e publicar um livro com Orientações Pastorais para a Evangelização do Mundo do Turismo no Brasil. A expectativa é que o lançamento seja no 7º Encontro Nacional da Pastur, em 2020, com local ainda a ser definido.

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